Continuamos hoje a homenagem a Jorge Amado, recordando outra homenagem, prestada por Manuel da Fonseca em 1938, dando voz a Hans, O Marinheiro, na despedida a António Balduíno, enquanto acena do seu barco que se faz ao mar. Este texto já tinha sido publicado em A Viagem dos Argonautas em 10 de Agosto de 2012.
HANS, O MARINHEIRO, CANTA PARA ANTÓNIO BALDUÍNO – por João Machado
Jorge Amado conclui Jubiabá em 1935. Acompanhamos assim António Balduíno no seu caminho desde o Morro do Capa Negro, do pai de santo Jubiabá, passando pela Rua Chile e pela Lanterna dos Afogados. Desde menino que Baldo sonha com o mar e que luta pela sua liberdade. Pelo filho de Lindinalva vai trabalhar para a estiva. Nas lutas dos trabalhadores percebe o significado da solidariedade. Faz fugir Exu da macumba de Jubiabá. Zumbi dos Palmares pisca para ele do céu. E Jubiabá se inclina diante dele. António Balduíno deixa de querer entrar pelo mar para a morte, como quando pensava em Lindinalva. Um dia partirá num navio e fará greve em todos os portos. Responde ao adeus do marinheiro loiro que vai no navio holandês todo iluminado, e Hans responde ao adeus de António Balduíno em
A Canção de Hans, o marinheiro
Se tu soubesses
que em todos os portos do mundo
há uma mão desconhecida
a acenar – adeus, adeus – quando se parte pró mar;
se tu soubesses
que o mar não tem fronteiras nem distâncias
é sempre o mar;
se tu soubesses
a noite nas águas
onde os barcos são berços
e os marinheiros meninos a sonhar;
se tu soubesses
o desamor à vida quando o vento grita temporais
e a morte vem abraçar os homens na espuma das vagas;
se tu soubesses
que em todos os portos do mundo
há um sorriso para quem chega do mar;
se tu soubesses vinhas comigo pró mar
embora as nuvens do céu
e os ventos que vêm do Este e do Oeste, do Sul e do Norte
digam ao mundo que vai haver o temporal maior que todos!

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