Há quem diga que o maoísmo, após reconversão, foi a melhor escola de quadros para a nova direita portuguesa. E, como é uso dizer-se, não há melhor acólito que o convertido, o “cristão novo”.
Olhando para o percurso e a situação de uns tantos poderá dizer-se que algum fogo tem o fumo.
Talvez o mais distinto do escol seja o expatriado Barroso, José Manuel Barroso como o próprio se baptizou europeu, deixando de ser Durão.
A habilidade foi tanta que fez passar a sua fuga do governo e do país, e o carreirismo e interesse pessoal, por patriotismo e dedicação aos superiores interesses nacionais que fariam mais importante tê-lo lá que cá.
Verdade que livrarmos-nos dele foi um bem nacional mas nada ganhámos, ao contrário do que foi alardeado, em ter um português na presidência da Comissão Europeia.
O balanço do mandato pauta-se pela subserviência aos germanos e aos euro-potentes, por mais errático discurso e posicionamento que tal exigisse, e pela arrogância perante os outros.
Depois de incentivar os países da UE aos investimentos nas infraestruturas e equipamentos – que o eixo tinha para vender – vimo-lo (tornicotim, tornicotão, vem aí o saltitão) a anunciar a salvação pela austeridade e a defender a banca e finanças das perdas que a especulação exponencial lhes traria, não lhes fosse estendida a mãozinha benfeitora, a mesma que calçou luva de ferro para os afogados nas dívidas que os seus governos, abusivamente e unilateralmente, sem consultarem quem quer que fosse, contraíram.
Barroso, como Durão, terá lido, e recitado, o livrinho vermelho, mas, com ele, Portugal, nem viu desabrochar mil flores, nem deu o grande salto em frente e a longa marcha que conheceu foi a do retrocesso e abandono.
Barroso, não voltes que não estás perdoado.

