PETER PAN, por Clara Castilho

PETER PAN – I

 

 

  

James Matthew Barrie escreveu o livro “Peter Pan in the Kensington Gardens”, em 1904. A sua personagem principal já aparecera dois anos antes no seu livro “The Little Bird”.

 

James Barrie nasceu numa família com poucas posses. A morte de seu irmão David, filho preferido de sua mãe, ligou-o a ela de uma forma muito especial, facto que serve de base a algumas interpretações da sua obra. Obteve grande sucesso em Londres e o seu casamento  não o preenchia completamente. Faltava-lhe a ligação a crianças, que veio a encontrar nos filhos de Sylvia Llewelyn Davies. Um deles chamava-se Peter. Após a morte dos pais destes rapazes – três – Barrie foi o seu tutor, orientando as suas vidas.

 

 

 

 

 


 

Uma peça de teatro foi representada com o titulo de “Peter Pan ou a criança que não queria crescer”e a história  publicada em 1906, com ilustrações de Arthur Racham. 

 

 

Michael Davies vestido de Peter Pan servindo de modelo para a estátua em Kensington Gardens.

 

Em 1953, a Disney produziu um filme de animação baseado no seu livro .


 

Em 1929 Barrie doou todos os direitos autorais de Peter Pan para o Great Ormond Street Hospital, um hospital londrino para crianças.


Em 2004 a história de Barrie foi contada no filme “Em busca da Terra do Nunca”, com Jonny Deep e Kate Winslet.

 

 

 

Em 2004, o Hospital infantil de Great Ormond Street decidiu autorizar a criação de uma sequencia para o livro Peter Pan and Wendy. Promoveu-se um concurso para encontrar, entre autores de todo o mundo, alguém capaz de continuar as aventuras de Peter na Terra do Nunca. Foi Geraldine McCaughrean quem venceu o concurso e escreveu “Peter Pan escarlate”.

 

 

PETER PAN – II

 

 

 

 

 

Na história de Barrie,  Peter Pan estava convencido que os bebés antes de nascer eram pássaros e que ele próprio poderia ainda voar e foi por isso que saiu sem hesitar pela janela. 

  


 

 

Uma das condições necessárias para que uma criança possa viver plenamente a sua infância e deixá-la um dia, para poder crescer, é ter uma mãe que permita ao seu filho tomar suficiente confiança em si próprio para crer que poderá sair e voltar e ficar a ganhar.  E Peter Pan queria saber que a mãe o esperava para lá da janela aberta, com os olhos postos nele. No que ele não acreditava “ porque ouvi o meu pai e a minha mãe a decidir no que eu me tornaria quando fosse grande. Mas eu quero ficar um rapazinho e divertir-me”, explicou ele a Wendy.

 

E porquê a “Terra do Nunca”? Peter Pan explica: “ Algumas pessoas conheceram também o país do Nunca durante a noite mas preferem esquecê-lo. Outras, voltam lá com prazer para reencontrar a infância que deixaram, sem cuja recordação é difícil continuar a viver…”

 

 

 

O papel da necessidade de uma mãe é essencial. Peter anda sempre à procura dela, Wendy como que vai preencher esse lugar e o Capitão Gancho só consegue fazer mal às crianças porque lhes falta uma mãe . Diz ele: “É o fim , estas crianças encontraram uma mãe!” (Wendy). De realçar que na Terra do Nunca o jogo preferido das crianças é brincar aos pais e às mães.

 

A personagem do Capitão Gancho, o chefe dos piratas, é o reverso de uma única e só, a de Peter Pan  que não tem idade pois “escapou-se no dia do seu nascimento”.

 

Peter Pan perguntava “e se a morte fosse a maior das aventuras?” Daí não ter querido ficar com a família Darling que o aceitaria, quando as crianças voltaram da Terra do Nunca. E, ironia ou destino para Barrie, os três “filhos adoptados”, os Davies, tiveram mortes trágicas – todos viveram a “maior das aventuras” – antes de o seu tutor falecer.


Este desejo de não crescer deu origem à criação, por Dan Liley, do termo “síndrome de Peter Pan”, no seu livro “ The Peter Pan syndrome: men who have never grown up”. No entanto, não consta como um “transtorno mental” no DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais). Mas estou a lembrar-me, concretamente,  de um menino que, com dez anos, tem um corpinho de sete e diz mesmo que não quer crescer…Só que não consegue embarcar nestas viagens que o poderiam ajudar a reparar a sua traumática história. Continuaremos a procurar…


*ilustrações de Arthur Racham

 

 

Leave a Reply