O Mundo das Crianças – guerras e debates – IV, por Raúl Iturra


 

Os mais novos da família não conseguiam entender os desencontros dos mais velhos. Quem tinha mais família nas guerras de Europa, era a mulher do Engenheiro, bem como uma larga parentela no sítio em que estavam, em Valparaíso, Chile, sítio em que estavam as indústrias, o comércio, as fábricas que eles tinham instalado ao começo do Século XX. No velho continente, duas guerras tinam começado: o levantamento das Forças Armadas na Espanha, contra a Segunda República desse reino. A primeira, tinha sido no Século XIX, contra a monarquia de Isabel II, quem teve que fugir para Itália com a sua corte. A bisavó e avó da mulher do engenheiro, iam nesse grupo. A Segunda República tinha começado com o levantamento popular contra Alfonso XIII, que já no governava, apesar de continuar a ser rei. Quem chefiava o país era o seu Primeiro-ministro, Miguel Primo de Ribera, com a protecção do Rei: as Cortes tinham sido abolidas e a Constituição não funcionava. Afonso XIII (nome completo: Alfonso León Fernando María Jaime Isidro Pascual Antonio de Borbon y Habsburgo-Lorena; Madrid, 17 de Maio de 1886Roma, 28 de Fevereiro de 1941) foi rei de Espanha entre 1886 e 1931.

 

Alfonso foi o filho póstumo do rei Afonso XII de Espanha e de Maria Cristina de Habsburgo-Lorena. Foi proclamado rei na altura do seu nascimento e a sua mãe foi a regente durante a sua menoridade. Em 1902, ao completar 16 anos, foi declarado maior de idade e assumiu as funções de chefe de estado.

 

 

 

O seu reinado foi manchado pela queda do império colonial espanhol, por grandes levantamentos populares que levaram à ditadura de Primo de Rivera, e culminou com a proclamação da Segunda República Espanhola a 14 de Abril de 1931, e com o exílio do rei, que abdicara e procurara asilo, primeiro na Itália, e a seguir da Rainha viúva e filhos. Foi-lhe oferecido asilo em Portugal, país no qual residiram até a morte do sucessor do Rei Alfonso XIII, Don Juan, Conde de Barcelona, a sua mulher Dona Mercedes de Borbón e Orleães e todos os seus filhos: Afonso (19071938) (renunciou ao trono em 1933); Jaime (19081975) (renunciou ao trono em 1933); Beatriz (19092002);  Fernando (1910); Maria Cristina (19111996) João (19131993) (Pai do actual Rei João Carlos I); Gonçalo (19141934). O Conde de Barcelona reclamava o trono ao ditador Francisco Franco, quem o negara: o ditador sentia-se Rei e governou Espanha desde Outubro de 1930 até o 20 de Novembro de 1975, data em que falecera após uma prolongada agonia de um mês. Sabemos que foi mantido vivo, por causa de sucessão. Tinha pactuado com o Conde de Barcelona enviar ao seu filho mais velho para ser educado pelo Ditador a sua maneira.

 

O filho mais velho tinha sido Don Alfonso, mas morreu num acidente infeliz com una caçadeira manipulada pelo seu irmão Don Juan Carlos. O Infante Alfonso esteve enterrado no cemitério de Cascais, até o dia em que o seu Hermano foi Rei e transferiu os restos mortais ao Paço de El Escorial, na vila de El Escorial, Toledo. Este paço serve de residência real e tem uma ala do prédio onde estão enterrados todos os reis mortos da Espanha. É denominado El pudrireiro.[1] O corpo do Infante de 14 anos, morto anos atrás, foi transferido com pompa, como si se tratara de um rei que tinha exercido o mando. A família Real de Espanha fez luto e acompanhou as circunstâncias do funeral, todos vestidos a rigor do luto. A cerimónia foi precedida pelo Rei, quem prestara homenagem ao irmão, morto por si por uma desgraçada brincadeira: pensavam que se a arma estava a vista de todos, era por ser inofensiva. Há quem diga que o Rei Juan Carlos sentia remorso e que a sua inteligência teria diminuído pelo facto. Bem como teria aceitado a educação do ditador, por dois motivos: porque o Conde de Barcelona nunca o teria perdoado e queria vê-lo longe de si. E porque a educação do ditador seria dura, uma espécie de castigo merecido.

 

Seja qual for o motivo, enquanto Príncipe Herdeiro e em Espanha, teve que cumprir o serviço militar, ir a guerra com o Sahara, território ocupado por Espanha e perdido a seguir esse conflito. Em 1884, a Espanha reivindicou um protectorado sobre a costa desde o Cabo Bojador de Cabo Branco. Posteriormente, os espanhóis ampliaram sua área de controlo. Em 1958, a Espanha aderiu há distritos anteriormente separados de Saguia el-Hamra (ao norte) e Rio de Oro (no sul) para formar a Província de Saara espanhol.

 

Ataques e rebeliões por parte da população indígena saharaui manteve as forças espanholas de grande parte do território por um longo tempo. Ma al-Aynayn iniciou uma revolta contra os franceses na década de 1910, numa altura em que a França tinha expandido a sua influência e controle no Noroeste da África. As forças francesas finalmente os venceram quando ele tentou conquistar Marrakesh, e em retaliação destruiu a cidade santa de Smara, em 1913, mas seus filhos e seguidores destacaram-se em diversas rebeliões que se seguiram. Não até a segunda destruição de Smara, em 1934, por forças conjuntas espanholas e francesas, fez o território finalmente tornar-se moderado. Outra revolta em 1956 – 1958, por iniciativa dos marroquinos apoiados e controlados pelo Exército da Libertação, levou a violentos combates, mas, eventualmente, os espanhóis recuperaram o controlo das forças – novamente com auxílio francês. No entanto, a instabilidade surgiu, e em 1967, o Tahrir Harakat surgiu para desafiar o domínio espanhol de forma pacífica. Após os acontecimentos da Intifada Zemla em 1970, quando a polícia espanhola destruiu a organização e “desapareceu” com seu fundador, Muhammad Bassiri, o nacionalismo saharaui novamente tomou um rumo militante.

 

O que o ditador de facto ambicionava, era criar a sua única filha em Rainha de Espanha[2].

 

Para entender é preciso ler o contexto histórico, escrito em  notas de rodapé.

 

Não apenas a minha família, mas todo espanhol residente no Chile, era parte do que se denominava a Colónia Espanhola. A história tinha-se virado do avesso. Antigamente, o Chile era Colónia da Coroa Espanhola, no do Estado Espanhol, era bens da monarquia reinante. Desde o 2 de Fevereiro de 1818, o Chile era um Estado Livre e de direito, ao se assinar a Acta da Independência[3].

 

 

 

 

 

 

 

 

El Acta de Independencia de Chile es el documento mediante el cual Chile declaró solemnemente su independencia de la monarquía española. Fue redactada en enero de 1818 y aprobada por el Director Supremo Bernardo O’Higgins el 2 de febrero del mismo año, en la ciudad de Talca, aunque fue datada en Concepción a 1 de enero de 1818.[1] [2] La ceremomia de jura de la independencia se realizó el 12 de febrero del mismo año, fecha del primer aniversario de la Batalla de Chacabuco.

 

El acta original, que tenía unas frases manuscritas agregadas por O’Higgins, se habría dañado en el Palacio de la Independencia.[3] En 1832, bajo el gobierno del presidente José Joaquín Prieto, se sacó una copia esmerada y se envió al Perú para que fuera firmada por O’Higgins, y luego por sus ministros de Estado de entonces, Miguel Zañartu, Hipólito de Villegas y José Ignacio Zenteno, que aún vivían en Chile.[1]

(Continua)


[1] Palavra castelhana que indica o sítio em que a carne apodrece. O nome oficial é Panteón Real.

 

[2]María del Carmen Franco y Polo, duquesa de Franco y Grande de España (Oviedo, 14 de febrero de 1926), es la única hija de Francisco Franco Bahamonde y de su esposa, María del Carmen Polo y Martínez-Valdés. Es también marquesa viuda de Villaverde.

En su bautismo recibió los nombres de María del Carmen Ramona Felipa María de la Cruz. Dicho sacramento se le administró en la Iglesia de San Juan el Real (Oviedo), en la misma donde contrajeron matrimonio sus padres.

Fue conocida por varios sobrenombres, como Nenuca, Carmelilla, Carmencita, Cotota y Morita.

El 10 de abril de 1950, se casó en la capilla del Palacio de El Pardo, con el cirujano Cristóbal Martínez-Bordiú, X Marqués de Villaverde, con quien tuvo siete hijos, nacidos todos en el Palacio de El Pardo:

É bem sabido que o ditador queria fundar uma dinastia Franco. Para tal, escolheu ao seu sétimo neto, enviou uma proposta de lei às Cortes Espanholas, com um decreto que nunca antes tinha sido preparado :Francisco Franco y Martínez-Bordiú (9 de Diciembre de 1954). Cuando nació las Cortes franquistas alteraron mediante una ley “ad hominem” el orden de sus apellidos. II Señor de Meirás (Grande de España) y XI Marqués de Villaverde; casado (1) en 1981 con María de Suelves y Figueroa, descendiente de Francisco de Paula de Borbón y Castellví, hija del marqués de Tamarit; y (2) con Miriam Guisasola Carrión (2001):

Mal o Príncipe Herdeiro foi rei, após a morte do herdeiro legítimo que nunca o foi por convénio com o ditador, o Conde de Barcelona, o novo rei mostrou-se o perdido que andava até casar com Sofia de Grécia. A seguir a morte de seu padre, o Rei Juan Carlos I lhe concedeu-lhe o título de duquesa de Franco com Grandeza de España, facto que Dom Juan, nunca teria permitido e o filho tinha medo do pai. A duquesa tem guardado um rigoroso silêncio, apenas roto por causa de algumas entrevistas aos seus filhos e a ela própria. Em Novembro de 2008 apresentou o livro: Franco, mi padre, uma espécie de biografia do outrora Jefe de Estado, escrita pelos historiadores Jesús Palacios y Stanley George Payne, em base à sua testemunha pessoal.

A Rainha tem um nome, que a faz parente dos Windsor da Grã-Bretanha: 1975- presente – Sofia da Grécia Schleswig-Holstein-Sönderborg-Glücksburg (Grécia). Tem sido a melhor mãe, esposa e mãe que a Espanha tem tido até hoje: recatada, sorridente Fala-se de que quem governa Espanha é ela e não o seu marido. Nos anos 80 do Século XX, houve uma tentativa de derrubar ao rei e substitui-lo pelo neto de Franco, o Rei quis fugir, mas entre o Conde de Barcelona e a Rainha Sofia, essas veleidades acabaram. Esse dia era impossível usar o telefone, a linha entre a Giralda, casa dos Duques, e o Palácio de Madrid, mantiveram as linhas impedidas, até que o pusilânime rei mandou tropa e falou pela televisão para afiançar o seu poder. O telefone esteve em contacto directo com os chefes de estado dos países democráticos de Europa. O Tenente Tejero mandou a corte toda a levantar-se o os matava a todos. O então Primeiro-ministro Adolfo Suárez, partido de Centro e cristão a Senadora Dolores Irribarren,  La pasionária, a comunista que lutara tanto pela República, não apenas foi eleita Presidente Das Cortes, como homenagem a sua valentia, bem como  ficaram calmos sentados nos seus sítios, enquanto As membros das Cortes se escondiam onde melhor lhes parecia possível, até serem resgatados pelas Forças Armadas leais, a seguir o discurso do Rei.

 

[3] Esta acta, foi assinada a 2 de Fevereiro de 1818, pelo Director Supremo do novo Estado, Bernardo O´Híggins. Em 12 de Fevereiro de 1817, San Martín e O’Hoggins tomaram Santiago. O’Higgins foi aclamado Ditador Supremo. Exactamente um ano depois, foi proclamada a independência.
As batalhas contra os espanhóis, no entanto, só terminaram em Abril de 1818, na Batalha de Maipú, quando os dois generais, San Martín e O’Higgins, se encontraram e se confraternizaram no chamado “Abraço de Maipú”.

 

 

Leave a Reply