PAIS SEM MEDO DE ASSUMIR RESPONSABILIDADE – “RETRATOS DE FAMÍLIA”, por Clara Castilho

 

Este é o nome de uma peça em que os “actores” são pais que frequentaram um Clube de Pais, no âmbito do Projecto XXI, de Santa Maria da Feira e em que “não era sua finalidade dotar os pais de qualquer curso habilitador e profissionalizante. A paternidade e a maternidade não se ensinam, aprendem-se”, defendiam Hugo Cruz e Inês Pinho responsáveis pelo Projecto.

Segundo o grupo, “O turbilhão dos quotidianos, o barulho dos dias e das vidas” constituem o ponto de partida para este espectáculo, o qual caminha no sentido de reencontrar “o genuíno, a espontaneidade”, ou, por outras palavras, “homens e mulheres, mães e pais à procura de retratos de famílias registados pelas emoções”.

São abordadas várias temáticas relacionadas com os filhos, de forma lúdica e informal, questões como a sexualidade, as drogas, ou as dificuldades escolares. 

 

O trabalho desenvolvido pelo Clube de Pais baseou-se, desde o início, em técnicas teatrais, possibilitando-lhes olhar para as temáticas abordadas na peça de forma vivencial, activa e participada. No fundo, trocaram de papel com os seus filhos, “re(experienciaram)” a sua própria infância, identificando os obstáculos do quotidiano e da comunicação familiar.

 

Com direcção e encenação de Hugo Cruz, «Retratos de Família» conta com as interpretações de Armanda Alves, Celeste Silva, José Canedo, Lurdes Matos, Fernanda Tavares, Joaquim Amorim, Constança Rodrigues e Marina Sá e Joaquim Silva. Os textos para a peça foram retirados de obras de João dos Santos, Trindade Coelho, Grupo de Jovens de Lourosa, República e a Associação Internacional para o Direito a Brincar. A direcção e encenação é de Hugo Cruz.

 

Inicialmente, o Clube de Pais formou-se com quatro grupos (de 15 a18 pessoas), estando previstas 80 horas de formação. Mas, com o tempo, um dos grupos acabou por dar continuidade ao projecto, reunindo-se desde há três anos para cá. Estes pais estão agora a organizar-se para ir formando outros clubes deste tipo, com sessões orientadas por eles próprios ”

Desta troca de experiências, em três anos de trabalho, resultou, ainda, o livro “Pais XXI, uma experiência”, da autoria de Hugo Cruz e Inês Pinho,  2008, que já vai na 3ª edição, de LivPsic Editora e que conta com um prefácio de Daniel Sampaio.

Do livro podemos retirar declarações de pais:

 

“Quando somos novos queremos mudar o mundo, quando casamos queremos mudar a nossa mulher, depois tentamos mudar os nossos filhos, como nenhum deles nos dá ouvidos, acabamos por tentar mudar-nos a nós próprios”.

“Aprendi que é com os meus filhos que eu aprendo a ser mãe”.

“ Estou mais atenta e agora quando eles falam para mim eu deixo logo o que estou a fazer para os ouvir, passei a falar menos e a ouvir mais”.


No dia 7 de Maio este grupo esteve presente no encerramento do 5º Encontro do Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia, na Fundação Calouste Gulbenkian, de cuja Comissão Organizadora fiz parte. Almocei com os seus elementos e aprendi através dos seus relatos e do seu exemplo de humildade, como se pode crescer interiormente, aprendi que a mudança pode ser uma realidade e que a mensagem é possível de ser passada, sobretudo quando “vinda” de pessoas que já viveram determinadas situações e não “oferecida” por técnicos. Assistir ao seu espectáculo foi para todos os presentes um momento de comoção e esperança.

 

Este Grupo pode ser contactado pelo mail pais-XXI@iol.pt ou pelo telefone 256 365 665.

 

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