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12 de Fevereiro de 2011 – Lotaria, marinas… : a Grécia a vender
Houve deputados alemães tinham sido os primeiros a disparar. Em Março de 2010, nas colunas do tablóide Bild, estes eleitos aconselham aos Gregos “sem um cêntimo, tesos,” que “vendessem algumas das suas 6.000 ilhas para reembolsarem as suas dívidas. Mykonos? Patmos? E porque não a Acrópole já que chegamos até a este ponto, responde-lhes Atenas, insultada!
Menos de um ano mais tarde, a realidade quase que atinge o nível de uma grande obra de ficção. A 12 de Fevereiro, “a Tróika” – a delegação do FMI, da Comissão e do BCE, encarregada de supervisionar a boa aplicação do plano de austeridade imposto em troca de uma ajuda financeira – termina a sua terceira visita na Grécia. O momento não é para troca de amabilidades e de felicitações. O tom é seco, o veredicto severo: os cofres estão a encher-se muitíssimo lentamente. Para alcançar os seus objectivos, Atenas deve pôr tampões duplos. Só há uma opção para reduzir mais rapidamente a dívida: reforçar ainda mais o programa de privatizações. A Troika lança um número: 50 mil milhões de euros. Sete vezes o plano inicial!
O gás, a electricidade, a água de Atenas e de Salónica, a lotaria, os hipódromos, os portos, os aeroportos, as marinas… A lista estende-se ainda e ainda mais. “A Grécia está à venda”, são títulos dos jornais helenos . O representante da Comissão, Servaas Deroose, crê que seria bom sugerir a Georges Papandréou, o primeiro ministro grego, que vendesse as “ praias para desenvolver o turismo “.
O clima entre Atenas e os seus credores atinge quase a confrontação. Desaparecido, o bom aluno que aplica as suas reformas com muito zelo! A Grécia volta a ser a ovelha ranhosa da Europa. Nas capitais da zona euro, analisam-se à lupa os números das contas enviadas mensalmente pelo governo de Papandréou. Irritam-se ao verem que as receitas fiscais não aumentam, que as autoridades têm dificuldade em acabar com a economia paralela. Controlos são de facto feitos regularmente junto de médicos ou nas casas de diversão nocturna, as piscinas não declaradas são procuradas por imagens de satélite, a fraude fiscal permanece um desporto nacional.
Na ruas da Grécia também, a cólera aumenta e grita-se. “Estamos a morrer “, clamam os cartazes aquando de uma greve que reúne dezenas de milhares de descontentes, em Atenas. Desde há quase um ano, os Gregos viram os preços aumentar, os salários a reduzirem-se. A idade da reforma foi alongada. Estes não admitem mais que sejam apontados a dedo, recusam que a Alemanha os tratem de “apanhadores de azeitonas”. Sobretudo agora que os seus tesouros nacionais vão ser vendidos em saldo para as multinacionais estrangeiras.
“Ditadura”, “ocupação”, “colonização”. Nos desfiles, os manifestantes não têm medo das grandes palavras. Mas o governo sabe, ele, que tem mais do que nunca necessidade dos seus mutuantes de fundos internacionais. Com uma dívida que frisa os 150% do produto interno bruto (PIB), o país continua na incapacidade de contrair empréstimos junto dos mercados financeiros. Nem hoje nem em 2012, como foi previsto ainda há menos de um ano. E esta situação pode durar ainda muito tempo.
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