António Nobre nasceu no Porto em 16 de Agosto de 1867 e faleceu na Foz do Douro, 18 de Março de 1900. A sua obra é geralmente integrada nas correntes ultra-romântica, simbolista, decadentista e saudosista. O seu livro principal – Só editado em Paris em 1892, reflecte o pessimismo nostálgico e o intimismom, que o colocam nos antipodas de outros poetas contemporâneos, os da chamada geração de 70. Entre Nobre e Antero de Quental, por exemplo, existe um profundo abismo conceptual. António Nobre é fortemente influeciado por Almeida Garrett e por Júlio Dinis. O simbolismo que avassalava a poesia francesa, foi taambém elemento decisivo na construção da sua poesia.
Frequentou em Coimbra o curso de Direito, mas em 1890 foi para Paris onde em 1895 se licenciou em Ciências Políticas pela École Libre des Sciences Politiques. Foi em Paris, em 1892, que publicou o único livro que dele se editaria em vida – o Só – “o livro mais triste que há em Portugal”, segundo palavras do próprio autor. Com apenas 33 anos, faleceu, vítima de tuberculose pulmonar. Vamos ouvir, dito por Cláudia Effe, o poema Na praia lá da Boa Nova, um dia…
Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!
Naquelas redondezas não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh Castelo tão alto! parecia
O território dum Senhor feudal!
Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de Deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,
O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso Conde,
Naquela idade em que se é conde assim…
.

RÉPLICA Um dia virá (não sei quando, nem sei donde)Um vento seco de Deserto e spleenDeitará por terra, ao pó que tudo escondeFicarão lembranças minhasque nunca fui nem rico nem conde