(Continuação)
O conjunto de dados da sua família e pessoais revelam que era de família pobre mas trabalhadora. No entanto, era um homem busca vidas e sabia com quem se juntava e com quem não. O seu humor era dos diabos, como me consta após observar em casa da nossa família, como tratava a sua mulher e aos seus filhos. Dona Rosa Ester, de família de prosápia, apenas sabia chorar: tinha sido educada para ser a mulher de um homem da sua classe que sabem tratar bem, com distinção e esmero. Os seus nove filhos, eram profissionais de prestígio. No exercício da sua profissão, casa com Rosa Ester Rodríguez Velasco, têm nove filhos, entre eles, Arturo, destacado civilista, Jorge Alessandri, futuro Presidente de Chile, Fernando Alessandri, académico y futuro senador de Chile, e Hernán destacado médico. A sua mulher, a Primeira Dama do Chile por duas vezes, filha de José Antonio Rodríguez Velasco e Antonia Velasco Pérez-Cotapos, foi neta do Ministro de Hacienda (Finanças) de Bernardo O’Higgins, José Antonio Rodríguez Aldea. Era mulherengo, bebia imenso, tratava mal aos seus filhos, para ele todos eram homossexuais, a pior injuria que se pode atribuir a um mancebo, especialmente se eram bem-criados e estudavam, pagos, nos colégio em que andara o seu pai, a minha família – foi assim que o conheci, visitava aos nossos tios avós, que deviam defender a D. Rosa Ester e aos filhos, como presenciei na minha infância e nunca esqueci. O Engenheiro e a sua mulher, nunca deram esse tratamento aos seus filhos, bem ao contrário, eram tratados com doçura e carinho e de forma especial.
Estes são os contos que a história não regista, apenas limita-se a narrar factos públicos e o cotilhão fica dentro as famílias e amigos. Para encurtar histórias que não me pertencem, apenas posso acrescentar que no cortejo fúnebre, o Engenheiro me confidenciara que o antigo Presidente tinha falecido na casa e cama de uma das suas mulheres e teve que ser levado de ambulância em silêncio e a noite, para a sua casa. Com o corpo em casa, foi anunciada a sua morte. A Dona Rosa Ester tinha já falecido em 1938, pelos maus tratos que o marido lhe oferecia. Nenhum dos filhos protegia ao pai e o culpabilizavam da morte temprana da mãe. Ele faleceu em 24 Agosto de 1950.
Duas características públicas o fizeram famoso: a redacção e promulgação da Constituição presidencialista de 1925, em que o Presidente da República tinha o direito a vetar leis que não forem convenientes para o país ou lesivas para o bem comum e as finanças da República; a outra, bem mais popular, era a de começar os seus discursos públicos com a palavra italiana: mi querida chusma. Saliento o de italiano, porque o italiano da terra do seu pai e avô era um dialecto, com um italiano mal falado, em que chusma era escumalha. Significado desconhecido pelo povo do Chile, povo que pensava ser uma palavra apenas endereçada a eles dentro da democracia que Alessandri tinha introduzido no Chile, um regime presidencial. Era um liberal de esquerda e, sabendo o que era a pobreza e viver como um pedinte, de facto, entrou muito cedo, aos 20 anos ao partido da esquerda desses tempos, o partido Liberal.
Inició su vida política en 1897, integrándose al Partido Liberal, y asumiendo como diputado por Curicó, en donde saldría reelecto por casi veinte años más.
En 1915, cuando ya presentaba sus primeras aspiraciones presidenciales, retó al senador en ejercicio por la Provincia de Tarapacá, Arturo del Río. Tras una disputada y violenta elección, Alessandri triunfó, a partir de la cual se ganó el apodo de León de Tarapacá, debido a su carisma, su popularidad en el pueblo y el gran énfasis de sus discursos.
En 1920 se postuló a la Presidencia de la República por la Alianza Liberal, ganando por un estrecho margen a su oponente de la Coalición -llamada en esta elección Unión Nacional, al incorporar al Partido Conservador-, Luis Barros Borgoño, para el periodo 1920–1925. Con sus discursos a favor de la clase obrera, produjo un gran temor en los sectores más conservadores de la sociedad chilena, el cual veía sus intereses en juego. Como la oposición controlaba el Congreso Nacional, Alessandri estaba a favor de un fortalecimiento del Poder Ejecutivo, el cual carecía de peso político ante el Congreso (época parlamentarista). En Chile existía un régimen presidencial con instituciones parlamentarias muy fortalecidas, lo que llevaba a un peso mayor del congreso (en Chile nunca existió un régimen parlamentario como tal, de acuerdo a las definiciones de la ciencia política), que generaba que un alto nivel de dependencia del ejecutivo con el parlamento. Este último tenía plenos poderes, que abarcaban desde la aprobación del presupuesto (varias veces no se aprobó el presupuesto generando que decenas de miles de empleados y ministerios no recibieran recursos) hasta la destitución, después de un breve proceso, de cualquier ministro de estado. Fonte: Alas, Claudio de. 1915. Arturo Alessandri. su actuación en la vida 1869-1915. Imprenta Universitaria. Santiago.
Alessandri teve a sua primeira presidência entre 1920 e 1925, em permanente conflito com o Congresso. Procurava um poder presidencial mais forte, reformulando a Constituição. A de 1925, a Constituição Alessandri, ampliou o poder presidencial, permitindo vetar leis, devolve-las ao Congresso e só podia promulgar se o Congresso reenviava o projecto de lei ao Presidente, quem via-se obrigado a promulgar o que não queria. Os Presidentes governavam dentro de um sistema semi-parlamentar. Como referi antes, não era do agrado de Alessandri, estava atado entre a possibilidade da insistência do Parlamento para promulgar leis não convenientes a Nação e o seu direito a veto condicionado. Cansado deste sistema, não acabou o seu período e se auto exilou na Embaixada dos Estados Unidos, sítio desde el qual foi convidado a retomar a Presidência. Mas, com uma condição que ele impôs, a de mudar a Constituição, incrementando os poderes presidenciais. La Constitución de 1925 promulgada por el presidente Arturo Alessandri Palma foi a abertura da participação política popular e deu cabo da base legal do sistema que o Congresso controlava as actividades legislativas do Presidente da República. A Constituição fez incompatível o cargo de ministro com o de parlamentário, criava a aprovação automática do projecto do Executivo na redacção da Lei do Orçamento, que inclui ingressos e gastos do Estado. O Congresso tinha um prazo, até o 31 de Dezembro para a debater. Se não a aprovava, imperava a proposta do Presidente da República. O regime semiparlamentário que tinha matado a Balmaceda, acabava. Não era necessário ser parlamentário para ser ministro, nem era preciso redigir apenas uma lei de orçamento, que atava as mãos do Presidente e do Congresso. No sistema anterior, o Executivo apresentava um projecto para debate pelos parlamentários, que podiam apresentar emendas, aprovar ou reprovar completamente a lei pela que o Estado orientava as suas actividades. Como aconteceu com Balmaceda: apresentou um projecto de orçamento, não foi aprovado e mandara que o do ano anterior tornava a imperar. Era a forma de controlar os actos do Executivo, conforme as conveniências dos parlamentários. Aliás, para ser Ministro, era preciso ser eleito deputado ou Senador, mas uma acha na fogueira das diferenças de poderes entre o Executivo e o Legislativa, ambos poderes podiam governar da mesma maneira. Presidente era um prisioneiro do Congresso…era como governavam os reis e os Primeiros-ministros de outros países. Atrevo-me a dizer que o democrático Chile ainda era uma espécie de Monarquia, no qual o Presidente era uma figura decorativa.
Com a nova Constituição, houve separação dos poderes do Estado: o Presidente governava e emitia um tipo de lei, especialmente a do orçamento, enquanto o Parlamento legislava matérias de diferente índole. Não podia preparar o orçamento, era atribuição do Senado, mas para a sua aprovação, o congresso funcionava em plenário. Os plenários do Congresso eram para matérias diferentes: conceder nacionalidade chilena aos estrangeiros notáveis, votar por causa de um candidato à Presidência não ter obtido o número de sufrágios para assumir o cargo, declarar a guerra, como nos tempos das duas do Pacífico contra Peru e Bolívia, rejeitar uma ameaça de guerra e organizar as Forças Armadas caso houver um ataque, como com a Argentina vária vezes no Século XX.
Alessandri já podia governar em paz e se apresentou para uma segunda candidatura em 1932 até 1938. Mas o nosso político não podia estar parado. Produto da morte do senador comunista por Curicó, Talca, Linares e Maule, Amador Pairoa, postulou-se para uma eleição senatorial complementaria, conseguindo uma vitoria muito alta, regressando el 8 de Novembro ao Senado. En 1949 foi reeleito, mas nesta ocasião por Santiago, siendo además electo presidente de esa corporación.
Ao ano seguinte, faleceu com oitenta e um anos. Ainda lembro o funeral: portentoso, imenso, multitudiniario, com Mandatários de outros países a assistir e algumas cabeças coroadas da Europa. O engenheiro e eu, assistimos, com parte dos parentes. Uma bandeira a meia haste e um crespo preto foi colocada na nossa e em todas as casas do país.
Como todo Presidente de um país em construção permanente, sendo Don Arturo um deles, teve as suas gafes. A base das suas candidaturas era a segurança social. Foi assim como ganhou o seu primeiro posto no Congresso: foi candidato a Deputado aos seus 28 anos – os livros se enganam e dizem outra idade, mas o Engenheiro e eu, amigos de família, sabíamos pela parte mais difícil do Chile, a terra do nitrato, com minas fechadas por causa da Primeira Grande Guerra, quando os alemães kaiserianos, pelas atrocidades cometidas, todas as portas foram fechadas, como as do caliche – chilenada para o nitrato de sódio, o partido Comunista com Juan Emílio Recabarren foi criado e acontecera a Matança das Minas de Nitrato de Santa Maria de Iquique, onde os grevistas, como canta Neruda esta história, foram assassinados, mais de mil homens com as suas mulheres e filhos. Todo por ordem do Presidente da Republica, compincha dos alemães, o aristocrata Pedro Montt, os dos, essa glória do Chile. Foi assim que nasceu o Partido Socialista, que passou a comunista com Recabarren, partido do cantor do assassínio de Santa Maria, Norte do Chile, Pablo Neruda, o nosso amigo mas não correligionário. Alesandri não teve medo e, apesar de já ser da aristocracia, concorreu e ganhou com mais do 60 % dos votos, ou assim dizia ele.
(Continua)
