(Conclusão)
8 de Julho – E agora, a Itália: “Ciao bella”
O fato continua, como sempre, a ser de sóbria e perfeita elegância. Sentado atrás do seu púlpito, Mario Draghi inicia-se numa exposição muito académica. Nesta sexta-feira 8 de Julho, o futuro Presidente do BCE foi convidado para os Encontros Económicos de Aix-en-Provence para evocar “a guerra das moedas “. O tom é afável, mas o sorriso revela preocupação. Entre duas conferências, o Italiano eclipsa-se. Improvisa um mini ponto para a imprensa no corredor, alguns minutos apenas para martelar duas mensagens. Primeira, os bancos italianos estão de boa saúde. Segunda, todo o governo em Roma está empenhado nos esforços de consolidação orçamental. Não há questões-respostas e Draghi volta para o seu lugar.
A hora é grave: a Itália desliza por sua vez na tormenta financeira. A Bolsa de Milão desmorona. Os mercados lembram brutalmente as fraquezas da Península: uma formidável dívida (120% do PIB) a que Portugal ou a Irlanda nada têm a invejar, uma das taxas de crescimento mais fracas do mundo dito industrializado e um poder político em plena deliquescência. “Ciao bella”, anunciava o Der Spiegel. Enredado em complicações judiciais, Silvio Berlusconi continua tranquilo e silencioso , murado na sua casa de campo de Sardenha. É necessário uma chamada de telefone de Angela Merkel irritada para que o presidente do Conselho acelere a adopção de um plano de austeridade: 47 mil milhões de euros de economias para um regresso ao equilíbrio orçamental em 2014.
Mas o mal está feito. O medo de ver ceder a terceira economia da zona euro relançou o cenário implacável do contágio. E no pior momento. Os Europeus estão divididos, e mais que nunca, sobre as modalidades do resgate de Atenas. Cada cimeira conclui-se sempre sobre a promessa de um novo encontro. Para Herman Van Rompuy, é tempo de quebrar esta espiral. O presidente do Conselho decide convocar uma reunião final, tão cedo quanto possível, a partir do 15 de Julho. Problema: a informação “foge” antes de ser oficial. Angela Merkel toma dela conhecimento por mero acaso, e fica zangada.
Enquanto que o incêndio faz os seus enormes estragos na zona euro, a chanceler alemã está em deslocação na África. Entre o Quénia, a Nigéria e a Angola, envia SMS sobre SMS aos membros do seu gabinete: é necessário travar, ou mesmo impedir de imediato a realização da cimeira . Está fora de questão uma festa mundana que não chegue a nenhuma conclusão e onde a Alemanha se encontre isolada. Reclamando custe o que custar quanto a uma divisão da carga com os credores privados, a senhora . Merkel sabe que está longe de suscitar a adesão de todos os seus parceiros europeus.
Mas Barack Obama levanta o auscultador do seu telefone para convencer a chanceler e a pressão torna-se demasiado forte. A data é estabelecida para quinta feira dia 21 de Julho. Na véspera Sarkozy e a senhora Merkel encontraram-se para jantarem juntos para depois serem acompanhados por Trichet, para procurarem até ao último minuto o não encontrável compromisso antes da cimeira europeia, uma pausa na crise da dívida. Mas certamente não será o seu epílogo.
Marie de Vergès, Clément Lacombe et Philippe Ricard (à Bruxelles), Zone euro – La tentation du vide, 23 de Julho de 2011.
