Matança da Noite de São Bartolomeu – por Carlos Loures

 

 

 

Massacre dos Inocentes, quadro do pintor huguenote François Dubois (1529–1584).

 

A intolerância tem sido, ao longo dos tempos, a causa principal de guerras, genocídios, massacres, holocaustos. As religiões têm assumido um trágico protagonismo neste aspecto específico da ignorância humana. A convicção de que a nossa crença se deve sobrepor à dos outros, porque só ela é verdadeira, o chamado integrismo, é criminosa . Não raro, esta deformidade tem sido usada por políticos para melhor manipularem massas. O aproveitamento político de convicções religiosas e, sobretudo, do fanatismo, tem sido e continua a ser feito nos nossos dias. Em todo o caso, a intolerância não se restringe ao campo das religiões. Quando se impõe a ferro e fogo, em nome de valores éticos, um sistema politico e se desencadeiam guerras para favorecer interesses económicos, está a dar-se provas de uma intolerância que, do ponto de vista moral, é ainda mais criminosa do que o integrismo religioso.

 

Em França, em 24 de Agosto de 1572, e foi desencadeada em Paris uma matança de protestantes (huguenotes) que se prolongou por meses. As estimativas do número de mortos oscilam entre os 30 mil e os 100 mil huguenotes assassinados. Aparentemente tratou-se de um fenómeno religioso, mas por detrás destas perseguições houve motivos políticos. Vejamos.

 

Em 1572, o casamento real de Margarida de Valois, irmã do rei católico de França, com o huguenote Henrique de Navarra, parecia preanunciar uma aliança que poria fim à crispação entre protestantes e católicos, e legitimar a pretensão de Henrique ao trono de França. Porém, em 22 de Agosto verificou-se a tentativa de assassínio do almirante Gaspard de Coligny, chefe espiritual dos huguenotes parisienses. Um acto isolado de um fanático católico? Não. O criminoso, um tal Maurevert, era um consabido agente de Catarina de Médicis, mãe do rei Carlos IX. Era ela, aliás, que detinha o controlo político do Estado. O almirante ficou apenas ferido, mas os huguenotes ficaram enfurecidos com esta provocação e protestaram de forma veemente.

 

Na madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, de acordo com listas elaboradas pela família real começaram a ser assassinados em Paris destacados huguenotes. Depois, o massacre generalizou-se. Entre 24 de Agosto e Outubro, os protestantes foram sendo massacrados, já não só em Paris, mas também em Toulouse, Bordéus, Lyon, Bruges, e Orleães. Uma das mais trágicas e feias páginas da história de França.

 

A matança da noite de São Bartolomeu inspirou o romance de Alexandre Dumas A Rainha Margot (1845), adaptado ao cinema em 1994 por Patrice Chéreau (La Reine Margot), com Isabelle Adjani, Daniel Auteuil, Jean-Hugues Anglade, Vincent Perez. Podemos ver uma expressiva cena do filme – a do casamento de Margarida de Valois com Henrique de Navarra.

 

 

 

 

 

 

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