(Publicado em O ClariNet em 28-08-2011)
Funcionária do governo chileno pede no twitter o assassinato da líder dos estudantes chilenos, Camila Vallejo. Tatiana Acuña, secretária executiva do Fundo do Livro, que pertence ao Ministério da Cultura, usou na rede social a frase; “ Se mata a la perra y se acaba la leva…” o que traduzido para um dos nossos provérbios seria “mata-se a cadela e acaba-se com a raça”. Já antes ameaças de morte andavam pelas redes sociais, e dados pessoais eram replicados pelo twitter, numa tentativa de amedrontar os jovens, que há meses reivindicam nas ruas a reforma do sistema de ensino.
Camila Vallejo, de 23 anos, tratada como “musa” na comunicação social, devido à sua beleza, é uma estudante de geografia da Universidade do Chile, e actual presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh). É a porta-voz dos estudantes nos protestos que estão a abalar o Chile. Em Junho manifestaram-se 400 mil. Estudantes e Universidade exigem do Estado um sistema educativo público e de qualidade. A última 5ª feira foi o pior dia de repressão policial desde que há 20 aos se derrubou a ditadura de Pinochet. O governo tinha proibido a manifestação no centro de Santiago do Chile, mas os estudantes encheram a cidade com os seus protestos. Um jovem veio a falecer após ter sido atingido com um tiro no peito disparado pela polícia, outro estava em risco de vida, também atingido num olho com um tiro. Terão participado nas manifestações que se alargaram a outros lugares cerca de 600 mil pessoas.
Tiveram a adesão da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior organização sindical do país. Sebastián Piñera, o presidente eleito pelo partido Renovación Nacional de centro-direita, está a sofrer grande contestação; tendo “o pior índice de avaliação desde o retorno à democracia em 1990”, (de 1973 a 1990 o Chile viveu sob o regime ditatorial de Pinochet). Sobre as reivindicações estudantis (uma sondagem deu 80% dos inqueridos como apoiantes das pretensões dos estudantes) o melhor é ouvir Camila Vallejo, no vídeo onde passam algumas das suas entrevistas. Para além de ser muito bela, é portadora de ideias bem definidas e arrumadas sobre o que quer a sua geração, uma geração que luta com coragem num ambiente repressivo e ameaçador. PS. Já em Janeiro, manifestações do povo chileno contra o aumento do gás (em 17%, como em Portugal) tinham bloqueado estradas e aeroportos. Foi no Chile…!

Tu, para além de seres bonito, também escreves muito bem 🙂
Tem ideias bem definidas e arrumadas porque se vê que é muito inteligente. E, relativamente ao assunto em questão, depois e só depois, também se vê que é muito bonita. É uma boa ideia : vou passar a apreciar assim todos os autores e comentadores: primeiro a beleza, depois a inteligência ou vice-versa, mas sempre as duas, quer seja mulher ou homem.
Augusta, pelo piropo, “em verdade te digo” que entre outras coisas falta-me os teus olhos azuis, (que por acaso o meu pai tem). As activistas são todas bonitas – têm uma genica que “até parece que estão vivas” – o inverso do mortiço, se me entendes!?A América Latina tem mulheres políticas espevitadas e muito belas, da Cristina Kirschner da Argentina, (compara com o nosso cara de pau) à Maria Emma Mejía da UNASUR, que é o número que calço. Se fosse mais novo emergia numa dessas zonas emergentes.
Fazias muito bem. Essa última não conheço.
Olha, Mesquita, já há argonautas a pedirem-me o link da Camila Vallejo . A luta do Chile está a ficar bonita!