A ILHA DE ELISE – por Clara Castilho

Como exemplo do que tenho vindo a desenvolver, vou relatar-vos uma experiência levada a cabo no departamento de psiquiatria infantil e juvenil do Hospital Evangelisches Krankenhaus Konigin Elisabeth (KEH), em Berlim. Trata-se de um projecto de design social, denominado Ilha de Elise.

 

Além dos médicos, enfermeiros e dos outros meninos, os pequenos pacientes são, desde Outubro, acolhidos pela Princesa Elise. A Princesa Elise é a protagonista da história que é contada às crianças e adolescentes quando chegam à institução: quando era nova, a princesa Elise inventou uma ilha só dela, com areias douradas, palmeiras, rochas a beijar as ondas e abrigos onde podia se proteger sempre que quisesse. Aqui estaria sempre a salvo. No momento, cresceu e passou a ser avó. Então, sentiu que já não precisava viver na Ilha, e decidiu partilhá-la com os jovens pacientes do Hospital.

 

A lenda foi criada e transposta do imaginário para a realidade pela agência criativa alemã, Dan Pearlman. Este projecto assenta no pressuposto de uma teoria holística, numa abordagem totalmente nova à psiquiatria infantil e juvenil.

 

Cada sala foi pensada ao nível da forma, cor, materiais, luz e ar, com o objetivo de promover uma atmosfera positiva, de segurança e cooperação, tirando partido do poder da imaginação das crianças e adolescentes para a sua cura. O desafio é equilibrar as obrigações terapêuticas dos profissionais com as necessidades emocionais das crianças e a resposta tem sido positiva. Segundo os psiquiatras do KEH, os jovens estão relativamente calmos e o seu nível de agressividade diminuiu.

 

A agência constatou, desde o princípio, que esta perspectiva sobre o design pode adequar-se a outros cenários em que o ambiente influencie a cura e o desenvolvimento dos envolvidos, como, por exemplo, em jardins de infância ou instituições sociais.

 

 

 

O departamento de psiquiatria infantil e juvenil do KEH, foi dividida em três unidades: – o Sandburg (castelo de areia), para os mais pequenos, onde os pacientes passam a ser “as crianças que moram nas dunas” e podem observar o que as rodeia sem se envolverem.

 

 – a Palmenhutte (cabana da palmeira), para os pré-adolescentes onde pertencem ao grupo de Coco, o papagaio, incentivando os jovens a arriscarem, a valorizarem as suas capacidades e a alcançarem novas alturas.

 

 – Klipper (um barco à beira-mar), para os adolescentes, onde a mascote é Rocko, o cão. Esta é a figura que representa a busca pela independência e pela individualidade. Os jovens são apelidados de rocke-fellows, os amigos que moram nas rochas.

Este projeto teve como base a utilização de símbolos, cores e ambientes presentes nos conhecimentos médicos e nas habilidades de arquitetos e designers para lhes dar forma.

 

O design de um ambiente terapêutico moderno, “pacient friendly”, é a prioridade deste conceito. O director do KEF, Rainer North, espera que um projeto referência tenha sido criado.

 

(baseado num texto de Diana de Nóbrega in /www.revistadesign.com.br/2/)

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