O Douro em perigo. Agricultores em pé de guerra. – por Carlos Mesquita

 

 

 

 

 (Publicado em O ClariNet de 31-08-2011)

 

Pequenos e médios agricultores do Douro manifestaram-se na Régua contra “o roubo” de 25.000 pipas de “benefício”. A crise que vive o Douro põe em causa a sobrevivência de milhares de agricultores, e assim a própria região, considerada património mundial.

 

A manifestação foi convocada pela Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO), juntou milhares de produtores, tendo alguns chegado a partir a porta de vidro do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) onde queriam entrar, espalharam e pisaram uvas na rua, expressando veementes protestos como é visível no vídeo. A GNR identificou 5 manifestantes.

 

 A situação da Região Demarcada do Douro é muito difícil e com tendência para se agravar, sendo necessário um “Plano de Emergência” como afirma a AVIDOURO aqui. «A “pedra angular” da estrutura socioeconómica de toda a Região Demarcada do Douro, é a atribuição anual do “Beneficio” – quantidade de Vinho do Douro que cada Lavrador ou empresa pode transformar anualmente em Vinho Generoso/Porto.»

 

O MAMA OT (Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e Ordenamento do Território) ainda tentou impedir a manifestação “dispensando” o presidente do IVDP. Mas os agricultores sabem que o problema duriense não se resolve com cosmética, não é tirando ou pondo gravatas que a ministra resolve estes assuntos, estes são sérios.

 

 O governo e o partido de Paulo Portas (o do boné à lavrador) que domina o ministério, teve aqui uma primeira evidência de que as medidas de austeridade e cortes, irão levar a protestos que ultrapassarão as clássicas movimentações enquadradas pela oposição partidária ou até dos sindicatos. Estão a ser atingidas as pessoas, a sua forma de vida e subsistência, e sabe-se que só passando da indignação silenciosa para a demonstração de rua serão ouvidos. A política de mais impostos sobre quem trabalha e cortes de benefícios pagos com o dinheiro desses impostos tem de ter oposição dos portugueses. Empobrecimento das famílias e paralisia da economia são as únicas coisas que o governo de Passos Coelho e Paulo Portas conseguiram até agora.

 

 

 

 

 

 

Carlos Mesquita nasceu em 1955 na fronteira de Vila Verde da Raia, Chaves. Em 1973, participou na campanha eleitoral da oposição democrática, cooperou em várias associações de carácter cultural, como era vulgar no meio anti-fascista organizado. Foi sindicalista e dirigente estudantil. A Revolução de Abril apanhou-o no processo de admissão ao Instituto Industrial. Passou alguns anos a fazer a Revolução.

 

Exerceu várias profissões, de operário especializado a desenhador de máquinas, de técnico de métodos de trabalho a executivo de fabrico, de director de produção de agências de publicidade a industrial de artes gráficas; é novamente publicitário.

 

Colunista do jornal regional, Semanário Transmontano, edita o blogue O ClariNet, colaborou no Estrolabio e agora em A Viagem dos Argonautas.

 

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