Émile Durkheim – por Raúl Iturra

(Publicado no Estrolabio em 1 de Julho de 2011)

 

Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858 — Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. Durkheim foi o fundador da escola francesa de sociologia, posterior a Marx, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. É reconhecido amplamente como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social. Para que reine certo consenso nessa sociedade, deve-se favorecer o aparecimento de uma solidariedade entre seus membros.

 

Uma vez que a solidariedade varia segundo o grau de modernidade da sociedade, a norma moral tende a tornar-se norma jurídica, pois é preciso definir, numa sociedade moderna, regras de cooperação e troca de serviços entre os que participam do trabalho colectivo (preponderância progressiva da solidariedade orgânica).

 

É assim que sintetizo a teoria de Durkheim, roubando as palavras à Wikipédia em: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Durkheim. Para saber mais sobre esta forma de teorizar, remeto ao leitor para um dos vários livros escritos por mim sobre Durkheim, o mais recente e que revela as suas tendências ideológicas é: O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com mais-valia.

 

Ensaio Antropológico de Sociologia Económica, Afrontamento, Porto, 2008. Porquê Sociologia Económica? Apesar de dois títulos de uma das suas 35 obras, referidos como sacrifício, religião, rituais, Durkheim tinha entendido que a vida social estava baseada na produção de bens, como refere na nota 1 nas conclusões, página 419 do livro que uso, em língua inglesa. O seu texto sobre As formas elementares da vida religiosa, no meu ver, é um livro de economia mais de que religião. Comparava rituais religiosos em base as sua ideias e pesquisas das formas de caça Arunta, formas de horticultura, a estrutura nómada da tribo, e as formas de falar. Estas, debatia com o linguista Max Müller, que atribuía essas formas elementares ao animismo e não a conjuntura da produção conjunto e a aprendizagem, elaborada por meio de rituais, da preservação das bases naturais de reprodução da natureza para os Arunta continuarem a viver.


 

Catedrático de Antropologia, especializado em Etnopiscologia e em Antropologia Económica, Raúl IturraRedondo, nasceu no Chile.

Iturra, pela ascendência basca dos seus ancestrais conquistadores, teve a contrapartida Redondo de sua mãe, oriunda de Alicante. Foi criado na Grã-Bretanha, país onde realizou os seus estudos – em Edimburgo e em Cambridge. Na primeira, fazendo o Mestrado em Antropologia e Ciências da Educação e na segunda o Mestrado em Antropologia Social e o Doutoramento na mesma ciência, na especialidade de Etnopsicologia da Infância. Ensinou em Cambridge, foi enviado ao Chile por Sir Jack Goody, figura proeminente Catedrático daquela Universidade, para estudar o socialismo democrata materialista em sufrágio livre.

 

Após o golpe militar de Augusto Pinochet, em Setembro de 1973, foi preso, sendo resgatado de um campo de concentração, pelo seu Catedrático e por Billy Callaghan. Viveu em Inglaterra com a esposa e duas filhas (cidadãs britânicas). Trabalhou com Claude Lévi-Strauss, Pierre Bourdieu e com o seu grande amigo, Maurice Godelier. Em Dezembro de 1980, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian e do ISCTE, veio a Portugal dar conferências. Considerando que em Cambridge estava tudo feito e que em Portugal estava tudo por fazer, pensou que o que fora impossível no Chile, a social-democracia, podia ser realizado em Portugal, E ficou, para desgosto de Sir Jack Goody. «Foi e é o meu maior engano: não me digam que Portugal é socialista!», diz o Professor Iturra.

 

Raúl Iturra é Professor Catedrático do ISCTE, hoje Instituto Universitário de Lisboa – IUL, Professeur Invitée du Collège de France, do Laboratoire d’Anthropologie Social, Professor Visitante da Universidade de Santiago de Compostela, da Universidade Bolivariana, do Chile. As suas duas filhas deram-lhe quatro netos: dois Holandeses e dois Britânicos. Escrever, é o seu maior divertimento, bem como investigar as etnias e aldeias de vários Continentes, para fazer psicanálise, estudar o pensamento da Infância e o dos seus pais, in situ.

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