O escritor uruguaio Eduardo Galeano faz hoje 71 anos

 

 

(Publicado hoje em O ClariNet)

 

O escritor uruguaio Eduardo Galeano faz hoje 71 anos, jornalista, pensador, artífice de contos e crónicas históricas comprometidas com a reflexão do seu tempo. A sua biografia descreve uma vida plena de participação cívica contra as injustiças. Marcado por ter vivido duas ditaduras, Uruguai e Argentina, é uma voz clara e militante contra todas as formas de opressão.

 

As veias abertas da América Latina é a obra mais divulgada de Galeano. Conta Saramago (outros cadernos de Saramago): «Chávez aproxima-se de Obama com um livro na mão, é evidente que qualquer pessoa de bom senso achará que a ocasião para pedir um autógrafo ao presidente dos Estados Unidos é muito mal escolhida, ali, em plena reunião da cimeira, mas, afinal, não, trata-se antes de uma delicada oferta de chefe de Estado a chefe de Estado, nada menos que As veias abertas da América Latina de Eduardo Galeano. Claro que o gesto leva água no bico. Chávez terá pensado: “este Obama não sabe nada de nós, quase que ainda não tinha nascido, Galeano lhe ensinará”.Esperemos que assim seja».

 

(Por causa deste acto o livro de Galeano esgotou na Amazon e esteve em segundo na tabela de vendas, um “best-seller”nos Estados Unidos).

 

Sobre o seu “Livro dos Abraços” disse Galeano “creo que un autor al escribir abraza a los demás. Y este es un libro sobre vínculos com los demás, los nexos que la memoria há conservado, vínculos de amor, solidaridad. Historias verdaderas vividas por mí y por mis amigos, y como mi memoria está llena de tantas personas, es al mismo tiempo un libro de “muchos”…Es un equívoco que há fragmentado los lazos de solidaridad, que há condenado a este mundo de finales de siglo a tener hambre de abrazos, a padecer de soledad, el peor tipo de soledad: la soledad en compañia. Es el mismo proceso que se manifesta com la pobreza”.

 

Austeridade para quê? Cortes na Saúde, Educação e Prestações Sociais

 

(Publicado ontem em O ClariNet)

 

Como se sabe o nível da austeridade tem como fundamento resolvermos o problema da dívida, O ministro Vítor Gaspar aquando da apresentação do “Documento de Estratégia Orçamental” (DEC) disse que íamos passar mal, mas era necessário para estarmos bem em 2015. Muitos portugueses estão convencidos disso mesmo, fazemos o esforço colectivo de andar uns anos na penúria, para ver o sol nascer no horizonte de 2015.

 

Poucos terão lido o DEC mas o socialista António Costa leu, e no programa “A Quadratura do Circulo” da SIC Notícias, divulgou uns dados (Pág.56 quadro III.9) interessantes. A evolução da dívida nos cinco anos 2010/2015 não é a que os portugueses mais optimistas acreditam. A dívida que foi em 2010 de 92.9%, (percentagem do PIB) em 2011 de 100.8%,será em 2015 de 101.8%.

 

Segundo o DEC/Fonte Ministério das Finanças, disponível na Internet. Será portanto maior que a que existe hoje, previsão do próprio governo; anda por aqui uma contradição entre o que nos é dito e a realidade. Em 2015 não há sol algum em relação à Dívida, e o resto dos dados do quadro das contas públicas é uma desgraça. O melhor é lerem para não haver surpresas.

 

O ministro das Finanças foi fazer sono à Comissão parlamentar respectiva, não adiantando nada ao que o Jornal Público publica hoje. Os cortes são nas áreas da Segurança Social; Educação, Ciência e Ensino Superior e na Saúde. O efeito da maioria dessas medidas para os portugueses, e a economia, serão tremendos, considerando a “poupança” de 1.521,9 milhões de euros. Esse impacto terá de se ir medindo e denunciando a cada medida específica. Os cortes nas gorduras do Estado ainda não foram desta vez anunciados. Confirma-se que as medidas vão além das exigências da troika, provocando ainda maior desequilíbrio entre a necessidade de austeridade e a recessão que provoca. O governo está conscientemente a criar uma recessão mais profunda que a que o FMI dava como adquirida.

 

A Grécia não vai cumprir a meta do défice devido à recessão fomentada pela austeridade; há sinais a nível europeu e mundial de retracção económica, e o nosso governo não tem uma medida ou ideia sobre como fazer a economia crescer. A única certeza que temos é que a cada desvio imaginado o governo “agirá por antecipação”, ou seja, aumentará mais impostos ou cortará em benefícios.

 

Foi nisto que votaram quando votaram nestes?

1 Comment

  1. Dois excelentes textos, Carlos Mesquita – o Galeano é, por assim dizer, uma figura de culto para muita gente deste blogue – uma referência, – pena é que os jornalistas como Eduardo Galeano vão rareando e sendo substituídos por rapaziada pragmática e, em muitos casos, iletrada. Note-se que ganhou um prémio de jornalismo desportivo – o Vázquez Montalbán . O Manuel e o Eduardo, dois grandes escritores e jornalistas, que desmentem a menoridade do jornalismo desportivo – o que é menor é a capacidade e a ética profissional da maioria dos jornalistas desportivos. O segundo texto é também muito interessante. A chamada massa eleitoral ainda não percebeu que os partidos do bloco central competem entre si para ver qual é mais eficiente a assaltar os bolsos dos que trabalham e dos pensionistas.

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