OS HOMENS DO REI – por José Brandão – 3

Paio Mendes (? -1138?)

 

 

Há quem considere ter sido ele, e não Egas Moniz, o aio de Afonso Henriques. Arcebispo de Braga entre 1118 e 1138, D. Paio Mendes defendeu firmemente a causa do infante contra D. Teresa e foi, certamente, um dos seus primeiros conselheiros. D. Afonso Henriques fez várias doações a D. Paio Mendes, em reconhecimento dos serviços que lhe ia prestando nos preparativos da fundação da nacionalidade. Com efeito, D. Paio Mendes (que em 1118 havia ascendido ao cargo de Arcebispo da Sé primacial bracarense) cognominado «O Arcebispo», e D. Afonso Henriques, lavram a 27 de Maio de 1128, em Braga, um documento em que o Infante promete ao Arcebispo direitos sobre várias vilas e lugares e diversas isenções e importantes privilégios logo que obtiver o governo de Portugal.

 

D. Afonso Henriques nomeou-o Chanceler por diploma de 27 de Maio de 1128. Nessa data, o Infante promete ao Arcebispo direitos sobre várias vilas e lugares, diversas isenções e alguns importantes privilégios, «logo que obtiver o governo de Portugal». Contrapartidas, afinal, que se deviam à ajuda que D. Afonso Henriques receberia do Arcebispo. Paio Mendes foi, sem dúvida, um elemento decisivo na subida ao trono de D. Afonso Henriques e certamente o seu grande estratega no que respeita à política externa. Em 1120 foi nomeado legado papal para Compostela e Braga. No ano seguinte recusa-se a assistir ao sínodo convocado por Gelmires. O Papa reconhecendo o melindre da situação e retira Braga da jurisdição de Compostela. Sagrou em 1131 o Mosteiro dos Templários, antes do renascimento do reino de Portugal. No primeiro quartel do séc. XII, os Mendes da Maia constituíam a mais alta aristocracia Portucalense.

 

A história do município da Maia está, também, intimamente ligada à fundação da nacionalidade. É assim que alguns autores defendem como hipótese quase certa que foi Paio Mendes, e não Egas Moniz, o aio de Afonso Henriques, hipótese que justificam com argumentos bastante convincentes de que o príncipe terá sido aqui educado, junto à família dos Mendes da Maia, a que pertenciam o arcebispo de Braga D. Paio Mendes, D. Soeiro Mendes e o famoso guerreiro Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, assim chamado por ter entrado em constantes lutas destemidas contra os sarracenos. De qualquer modo, o certo é que a acção de D. Paio Mendes se revelou decisiva em dois aspectos, sendo que o primeiro foi a sua luta constante contra Diogo Gelmires, arcebispo de Compostela. De facto, pode-se dizer que a luta pela emancipação da terra portucalense, foi também o verdadeiro duelo travado entre Compostela e Braga no campo da organização eclesiástica, da disputa pelas sés de cada arquidiocese. Dada a importância da Igreja, um tal conflito não podia deixar de ter reflexos políticos, mesmo porque os arcebispos também eram potentados militares.

 

Ora, a verdade é que D. Paio Mendes mostrou-se particularmente dinâmico na defesa de Braga contra as investidas de Compostela. D. Paio Mendes fica igualmente ligado à construção do maior monumento da cidade dos arcebispos. A Sé de Braga, a mais antiga arquidiocese de Portugal, é o monumento mais importante desta cidade e o seu ex-libris. A sua edificação no séc. XII, deve-se a D. Henrique e D. Teresa, pais do primeiro rei de Portugal, cujos túmulos se guardam no interior. As obras foram, contudo, dirigidas por D. Paio Mendes, que contou com a colaboração de São Giraldo e Maurício Brudino para as orientações estruturais necessárias à transformação do templo num centro de peregrinação. Paio Mendes terá morrido em 1138.

 

(A seguir: Gonçalo Mendes da Maia – O Lidador)

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