A dívida mata mais que muitas armas – Augusta Clara

 

Diário de bordo

 

 

Comemorámos ontem aqui o Dia do Brasil. Em Portugal anunciam-se fortes cortes nas despesas do Estado com a saúde. O Serviço Nacional de Saúde, uma das conquistas do pós-25 de Abril, corre sérios riscos. Não sei se os portugueses estarão bem conscientes da gravidade do que se anuncia e aproxima,  a mando desse triângulo denominado troika, cuja hipotenusa – o FMI -, com a indiferença que caracteriza o império da  finança mundial, provocou malefícios em grande escala na saúde dos brasileiros, após a adopção das medidas draconianas que impôs ao país, nesse sector, na década de 1980, como pagamento da dívida contraída.

Ouçamos o que, a este respeito, tem para nos dizer Jean  Zeagler no seu livro O Império da Vergonha:

 

“Hoje nem são precisas metralhadoras, napalm, blindados para escravizar e submeter os povos. A dívida trata do assunto. (…) No começo dos anos 1980, o FMI impôs um plano de ajustamento estrutural particularmente severo ao Brasil. O Governo teve de reduzir maciçamente as suas despesas. Entre outras coisas, interrompeu uma campanha nacional de vacinação  contra o sarampo. Uma epidemia aterradora de sarampo grassou então no Brasil, mais precisamente em 1984. Morreram dezenas de milhares de crianças não vacinadas.

A dívida matou-as.”

 

Não é preciso acrescentar mais nada.

 

2 Comments

  1. Apesar de estar em consultas, fui dar uma vista de olhos e vi este teu artigo que acerta na mouche. As consquências hão-de vir. No que respita á saúde, onde o Estado devia cortar, no que é supérfluo, exagero e desequilíbrio, não o faz. Corta no que é essencial. Verdadeira ignorância e incapcidade de entender estes fenómenos…ou não.

  2. Ignorantes são e não é pouco. Não percebem nada do que é ser pessoa. Por isso, não conseguem ser. Há bocado ouvi o presidente do Irão dizer que já nem seria preciso fabricar a bomba atómica porque o Ocidente se está a fundar. Palavra, que achei mesmo graça.

Leave a Reply