Desemprego, e corrupção na ordem do dia

Diário de bordo

 

Com os níveis de popularidade a baixar vertiginosaamente e com os índices de desemprego a subir, Obama anunciou um ambicioso programa, de quase 450 milhões de dólares, destinado a estimular o crescimento económico e a criação de emprego. A proposta dificilmente obterá luz verde da Câmara de Representantes, pois os republicanos estão ali em maioria, mas Obama sintetiza deste modo os seus objectivos «pôr mais gente a trabalhar e pôr mais dinheiro nos bolsos dos que trabalham». 

 

No passado dia 7 comemorámos a independência do Brasil, dedicando a edição ao país irmão – a música, a literatura, a arte, a história foram particularmente focados ao longo de todo o dia. Entretanto, em Brasília, cerca de 25 000 pessoas integravam uma marcha de protesto contra a corrupção. Foi o início de uma mobilização que se desenvolverá por marchas noutras 35 cidades brasileiras pertencentes a 2º estados. O Dia da Independência foi escolhido para lançar no Brasil o movimento dos indignados contra a corrupção. Pelos apoios que o movimento tem, mas também por aqueles que não tem, compreende-se que combater a corrupção não é a única preocupação desta iniciativa. «Indignados contra a corrupção», apoiados pela Conferência Episcopal Brasileira, pela Ordem dos Advogados, parece apenas ter como alvo a corrupção no PT, reabrir o escândalo do Mensalão, em suma, atingir Dilma Rousseff. “Marcha dos cheirosos” é como as fontes mais de esquerda designam a iniciativa.

 

Em Portugal, os sindicatos e partidos de esquerda parecem dar sinais de inquietação e de pretender desencadear uma série de movimentações. Na verdade, em vez de restringir a indignação ao universo de recém licenciados sem emprego, parece mais correcto que se fale, não de uma geração, mas de «portugueses à rasca» – sem emprego, com empregos precários, com pensões de miséria. No entanto, atenção ao que se passa no Brasil e ao que se passou aqui com a manifestação da«geração à rasca». Que o objectivo não seja apenas o rasteiro propósito de atingir este (abominável) executivo – ele cairá, mais tarde ou mais cedo, sendo substituído por outro (igualmente execrável). Necessitamos de uma vaga de fundo que varra estes dois compadres. Ou tudo ficará na mesma.

 

 

Será que não estão indignados?

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