De todos os disparates que o governador do Texas, Rick Perry vomita sobre os direitos dos Estados e da décima Emenda à Constituição, a mais estúpida é a sua noção de que os Estados devem viver sozinhos. “Nós temos uma grande União”, disse ele num comício do Tea Party em Austin em Abril de 2009. “Não há absolutamente nenhuma razão para dissolvê-la. Mas se Washington continuar a meter o nariz sobre o povo americano, cada um de nós sabe, todos sabemos, quem dela pode sair.”
O mais importante da sua mensagem não é, no entanto, uma separação por completo. É sim que o centro da acção governamental esteja no Estado ao invés de o estar a nível federal. “É essencial para a nossa liberdade”, escreve ele no seu livro, Fed Up! Our fight to save America de Washington “, que sejamos autorizados a viver como acharmos melhor através do processo democrático a nível local e estadual.”
Perry não gosta do Federal Reserve Board. Ele odeia a Internal Revenue Service ainda mais. Presumivelmente, se ele fosse por este caminho os contribuintes pagariam aos estados ao invés de ser o governo federal a pagar-lhes por todos os serviços e pagamentos de transferências que recebem.
Isso pode ser um bom negócio para o Texas. De acordo com os dados mais recentes da Tax Foundation, os cidadãos do Texas recebem apenas 94 cêntimos do governo federal para cada dólar de imposto que eles enviam para Washington.
Mas seria um mau negócio para a maioria dos outros estados vermelhos. Em média, os cidadãos de Estados com forte maioria republicana recebem mais do governo federal do que aquilo que a este pagam. O estado de Kentucky recebe 1,51 dólares de Washington para cada dólar que os seus cidadãos pagam em impostos federais. O de Alabama recebe $ 1,66. O de Louisiana recebe $ 1,78. O de Alaska, 1,84 dólares. O de Mississippi, 2,02 dólares. O de Arizona, 1,19 dólares. O de Idaho, 1,21 dólares. O de Carolina do Sul, 1,35 dólares. O estado de Oklahoma, 1,36 dólares. O de Arkansas, 1,41 dólares. O de Montana, 1,47 dólares, O de Nebraska, 1,10 dólares. O de Wyoming, 1,11 dólares.O de Kansas, 1,12 dólares.
Por outro lado, a secessão fiscal seria um benefício para a maioria dos estados azuis. Os cidadãos da Califórnia – mais duramente atingidos pela recessão do que a maioria – recebem de Washington apenas 78 cêntimos por cada dólar de imposto que eles pagam a Washington. Os nova-iorquinos recebem apenas 79 cêntimos por cada dólar de imposto que pagam a Washington. Massachusetts, 82 cêntimos . Michigan, 92 cêntimos. Oregon, 98 cêntimos.
Por outras palavras, os estados azuis estão a subsidiar os estados vermelhos. O governo federal é como uma gigante bomba de depósitos – puxa os dólares dos enclaves liberais como a Califórnia, Nova Iorque, Massachusetts e Oregon – e envia-os para os estados conservadores como Montana, Idaho, Oklahoma, Arizona, Wyoming, Kansas, Nebraska e para o Velho Sul.
Como uma questão prática, então, a luta de Rick Perry que tem como objectivo o querer salvar a América de Washington é realmente um plano secreto para proteger os estados azuis dos estados vermelhos.
Perry, ao que parece, é então um velho liberal.
Robert Reich é o autor de Aftershock: The Next Economy and Future of America, agora nas livrarias. Este post foi publicado originalmente em RobertReich.org
