COISAS DE/DO PORTUGUÊS – UM SERVIÇO AO DISPOR DE VOSSELÊNCIAS – por Magalhães dos Santos

 

 

 

A equipa timoneira da nave de que todos somos passageiros esteve de acordo em que houvesse uma rubrica destinada a falar de assuntos de Português. Tem o seu subscritor o “atrevimento” suplementar de se pôr à disposição de quem quiser fazer perguntas  a respeito do assunto da rubrica. Com a garantia de dizer “não sei” quando for esse o caso e de dar a mão à palmatória quando houver reparos que exijam tal atitude.

 

O subscritor tem alguma prática destas andanças. Assinou rubricas semelhantes no Diário de Notícias  e no Jornal de Notícias. Também publicou textos análogos em jornais regionais.

 

Conta com as perguntas que lhe forem feitas para se enriquecer, graças às consultas que precisará de fazer para lhes responder. Para o ajudar dispõe de dicionários diversos, obras de consulta, livros especializados de bons autores, portugueses e brasileiros.

 

Não faltarão aos viajantes argonautas motivos para transmitirem estranheza no tratamento que é dado a esse património comum que é a Língua Portuguesa.

 

Basta ouvirem as estações de televisão ou de rádio! Ou lerem as legendas das primeiras… Ou os jornais e anúncios e letreiros! Uiiiii!

 

Um pequeno exemplo:

 

Há dias uma locutora de televisão disse qualquer coisa como:

 

“É natural que nhamos visto…”

 

Isto é de bradar aos Céus!

 

As formas do presente do conjuntivo são sujeitas a verdadeiros tratos de polé, e – quantas vezes! – por pessoas de quem se esperaria muito mais cuidado. De locutores de rádio e de televisão, por exemplo. Mas quê? Nos exames de admissão exige-se-lhes que saibam uma ou duas línguas estrangeiras, mas não têm de provar que sabem Português. Ainda bem para os candidatos ao lugar, porque se tivessem de provar que sabiam a nossa Língua… não provavam e eram reprovados…

 

Em seis formas do presente do conjuntivo – TEnha, TEnhas, TEnha, teNHAmos, teNHAIS, TEnham – a sílaba tónica de quatro delas é a primeira, a da raiz: seja, sejas, seja, sejam; faça, faças, faça,  façam. Só em duas ela está na desinência: sejamos, sejais, façamos, façais.

 

E pseudo-democraticamente, ignorantemente, a maioria (quatro contra dois) quer impor a sua força e mandar que todas as formas tenham como sílaba tónica a primeira.

 

Resultado: quando se ouvem silabadas destas – e doutras – dá  para gritar!

 

A Gramática ainda existe ou… é letra morta?

 

4 Comments

  1. Não vou propriamente fazer uma consulta, mas sim pedir que aconselhe José Rodrigues dos Santos (o homem da RTP, mas também escritor e professor da Universidade Nova…) a não repetir dois erros que comete com frequência:- Ter a haver (quando quer dizer “ter a ver” e ir de encontro a, quando quer dizer “ir ao encontro de”.Agora, sim, uma consulta: deve dizer-se “organograma” ou “organigrama”- Opto sempre pela primeira forma, mas sou frequentemente corrigido.Um abraço e até para a semana.

  2. Eu venho à primeira consulta pedir ao nosso linguista que explique a quem não sabe quando é que o verbo haver se conjuga só na terceira pessoa do singular e quando se conjuga em todas as pessoas do singular e do plural. Os erros com este verbo, como sabe, são muito frequentes e praticados, até, por quem não devia.

  3. Ora viva, meu caro Magalhães dos Santos! Aqui acabaram-se os “DRs”, quer queira quer não.Há dias ouvi: “Aquele tipo que a mãe é pianista” e senti uma comichão na axila esquerda.Outra: “Daniel Baremboim é um grande músico, um grande humanista, um daqueles homens que o trabalho muito tem ajudado a Palestina”, e senti uma comichão na axila direita.Mas isto é comum e vulgar, mesmo em letrados. Deus nos valha. Diga qualquer coisa. Ah! já não falando no malfadado metereológico e metriológico tão do gosto de tudo quanto é locutor, mesmo sendo da Antena 2, onde tal palavra deveris ser heresia.Um abraço do Adão Cruz

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