OS HOMENS DO REI – 16- por José Brandão

João Peres de Aboim (Séc. XIII)

 

Nascido por volta de 1213 numa família originária do antigo julgado da Nóbrega, paróquia de Santa Maria, em Aboim, Ponte da Barca, D. João Peres de Aboim, conhecido posteriormente por D. João de Portel, era um nobre fidalgo oriundo do norte do País cuja amizade e fidelidade ao rei promoveram a sua ascensão social com o estatuto de Rico-Homem e com a detenção de cargos ilustres na estrutura militar e administrativa do reino. Acompanhou o infante D. Afonso quando este saiu do Reino e se instalou em França. Com ele regressou também a Portugal depois da deposição de Sancho II, e veio a ser uma das figuras de maior relevo político na época de D. Afonso III.

 

Algumas certezas históricas, remetem ao ano de 1257 quando D. Afonso III, rei de Portugal desde 1248, pretendendo agradecer os favores prestados por D. João Peres de Aboim, ordena ao Concelho de Évora e posteriormente aos de Beja e Monsaraz, a doação de várias terras que, constituídas em herança, viriam a integrar o novo termo de Portel.

 

João Peres de Aboim vem a instalar-se definitivamente na área de Portel após ter obtido, em Outubro de 1261, autorização do rei para construir castelo e fortaleza, lançando assim os fundamentos da actual Vila de Portel.

Por esses tempos faltavam ao termo Portel algumas terras junto a Amieira e especialmente os “ricos barros” de Monte-do-Trigo que D. João de Aboim se apressou a adquirir quer por compra quer por doação dos proprietários em troca de protecção e segurança.

 

Em 1 de Dezembro de 1262, D. João de Aboim e sua mulher D. Marinha Afonso concederam aos moradores da nova Vila de Portel Carta de Foral com os foros e costumes da cidade de Évora.

 

João Peres de Aboim desempenhou os cargos de governador do Algarve e de mordomo-mor, e, a dar crédito às queixas dos representantes dos concelhos, era fidalgo violento e insaciável, que saqueava sem mercê os bens dos municípios e seus moradores. Essa conduta originou queixas dirigidas ao Papa, nas quais se pretende que o próprio monarca não era alheio a tais abusos, ou não os queria impedir. Sabe-se que no reinado de D. Dinis o antigo mordomo-mor conservava o seu valimento político.

 

Mas D. João Peres de Aboim, ou D. João de Portel, não foi apenas um grande homem de armas.

 

Os dezasseis anos que permaneceu em França junto do meio literário e conjuntamente com D. Afonso, conferiu-lhe uma cultura literária e um engenho poético que o elevaram acima da maior parte dos cortesãos do seu tempo.

 

Considerado como o mais ilustre fidalgo que veio de França com D. Afonso III, D. João Peres de Aboim foi também um poeta-trovador, de quem existem notícias de trinta e três poesias, conhecendo-se, no entanto, apenas dezassete: duas cantigas de amor, onze cantares de amigo “graciosos e fluentes”, e três cantigas de mal dizer.

 

É-lhe atribuída também uma pastorela que, cronologicamente, será a mais antiga conhecida na história da poesia trovadoresca portuguesa. Nesta cantiga revela D. João de Aboim as suas ligações a França e ao caminho francês, a estrada que os cavaleiros e os romeiros percorriam de Bordéus a Santiago de Compostela, nas peregrinações ao túmulo do santo patrono dos guerreiros peninsulares.

 

Falecido D. João de Aboim coube o termo de Portel, em herança, a seu filho D. Pedro Eanes que o veio a entregar a sua irmã D. Maria Eanes. Esta e seu marido trocaram-no, por outras terras, com o rei D. Dinis que possuiu o senhorio da Vila de Portel e castelo até 1318, doando-o, posteriormente, a sua mulher Isabel de Aragão.

 

A seguir:

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