“A primeira edição da Feira de Arte carioca” (JORNAL de uma curta viagem ao Brasil – 3 – por Sílvio Castro

Finalmente o Rio de Janeiro tem a sua Feira Internacional de Arte!

 

Centro artístico de grande importância e significado na vida do país; sede de dezenas de boas e belas Galerias de Arte, o Rio até agora não se dedicara à criação de uma própria manifestação devidamente organizada de suas atividades ligadas às artes. E pensar que o jardins públicos de Burle Marx lhe dão uma grandeza de modernidade organizada; que seu vasto e complexo ambiente arquitetônico sabe unir edificações e natureza; que no Alto da Boa Vista, e em plena floresta da Tijuca, encontramos documentos artísticos que vêm do início do século XIX para misturar-se com obras de autores modernos como Portinari; que aqui, nas plagas cariocas, Oscar Niemeyer caminha lépido – e nós na sua benéfica contemplação – na direção de seu belíssimo 104° aniversário.

 

Terá sido por um leve complexo em relação a São Paulo, com a sua estupenda Bienal Internacional e com a vivaz Feira de Arte citadina, que a Cidade Maravilhosa tenha permanecido inerme até agora, sem uma verdadeira, estável, popular manifestação artística. Coisa que agora fica superada com a inauguração da 1a. Feira Internacional de Arte Contemporânea-ARTRio, isto a partir de 8 a 11 de setembro deste 2011.

 

Para sede da ARTRio os seus organizadores escolheram o Pier Marítimo/Armazéns 2 e 3, na Praça Mauá. Ali, desde há muito, entravam e partiam passageiros e mercadorias nos muitos navios atracados no grande cais carioca. A partir de agora, dois de seus grandes armazéns se transformaram em soberbo espaço artístico. E a população do Rio logo acorreu para conhecer a novidade em multidões. Foram mais de 40 mil os visitantes que encheram a Feira nos seus cinco dias de atividades.

 

Traduzindo coerentemente o crescimento econômico atual da cidade e do país, estes milhares de curiosos da beleza, em todas as suas diversas possíveis expressões, se dedicaram com vivo empenho às compras das obras expostas. Novos colecionadores de arte então tiveram um procurado, desejado e benéfico batismo. Estes e outros entre os visitantes adquiriram peças as mais variadas, num surpreendente movimento que totalizou vendas por R$ 120 milhões (o correspondente, mais ou menos a E. 55 milhões). Os estandes brasileiros e estrangeiros atingiram o total de 83 galerias. O Prêmio para o mais expressivo estande coube à “Galeria de Arte Gentil”, dirigida por Márcio Botner.

 

O auspicioso início da ARTRio certamente movimentará, em 2012, as galerias paulistas – mentoras da até então mais importante Feira de Arte brasileira – a parteciparem igualmente na manifestação carioca. Naturalmente, tratando-se de um primeira edição, a ARTRio-2011 apresentava visíveis problemas estruturais: as informações sobre grande parte das obras expostas eram insuficientes; o sistema de alimentaçõ revelou-se precário em face do grande número de visitantes; evidentes falhas de organização que provocavam muitos protestos pela confusão das inúmeras filas e pelos preços altos cobrados. Para complicar ainda mais tudo isso, o pequeno número de bilheterias abertas criava uma tensão caótica, isso aumentado ainda pela falta de taxis para as saídas, bem como pelo espaço para o estacionamento oferecido. A segunda edição da Feira carioca terá muito trabalho para superar tantos limites e outros mais que certamente nascerão.

 

A apresentação e o sucesso geral da primeira edição da ARTRio vem confirmar igualmente o grande momento vivido pela arte e pelos artistas brasileiros. Podemos recordar alguns entre os mais significativos sucessos dos tempos recentes: Carlitos Carvalhosa que alcança as maiores adesões pela sua presença no Museu de Arte (MoMA) de New Iork; Lygia Pape que ganha retrospectiva na Reina Sofia, de Madrid; uma obra de Adriana Varejão vendida por US$ 1,7 milhão num leilão da Christie´s, de Londres.

 

Coroando esses sucessos, no próximo dia 28 de setembro (naturalmente de 2011…), a filial parisiense da grande rede mundial de galerias, a Gogorian, inaugura a exposição “Reinvenção do moderno” que reune 50 obras de Amilcar de Castro (1920-2002), Hélio Oiticica (1937-1980), Sérgio Camargo (1930-1990), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004) e Mira Schendel (1919-1988). Obras que serão ofertas ao público por preços que oscilam entre US$ 50 mil e US$ 750 mil.

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