A «questão da Madeira» assume por estes dias aos olhos dos portugueses uma dimensão que nunca tivera antes. A verdadeira dimensão de um caso grave a que nunca se deu a devida importância. Já a ela nos referimos num anterior editorial. Circula agora pela net uma lista onde se dá conta dos cargos ocupados por familiares e amigos do presidente do Governo Regional. A ser verdade, é um exemplo do mais desbragado nepotismo. Explicaria também por que motivo está Alberto João Jardim tão agarrado ao poder.
Jardim é uma personagem medíocre – uma espécie de Quim Barreiros da política – boçal e primário. Nada estúpido, porém. Melhor do que outros, de discurso e pose mais sofisticados, compreendeu o funcionamento da «democracia». O não ser levado a sério, serve-lhe como justificação para dislates e grosserias e, a ser verdadeira a tal lista, para um descarado e desonesto aproveitamento pessoal. Com a arrogância e descaramento, insulta quem se lhe atravesse no caminho – seja o presidente da República ou quem for. Quem se mete com o Jardim, leva! No entanto, os insultados, de Jorge Sampaio a Cavaco Silva, todos se apressam a cumprimentá-lo se vão à «sua» ilha. Se o ogre está bem disposto, recebe-os. Jaime Gama comparou-o a Bokassa, mas passados tempos (como presidente da AR) fez-lhe um elogio rasgado. Ou seja, os dois partidos do Poder têm sido cúmplices na protecção a um ser inqualificável – envergonha a classe política (se ela tivesse vergonha) e envergonha a espécie humana.
Agora, o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal, descobrem que manipulou números, pode falar-se de burla envolvendo mais de mil e cem milhões de euros! A anedota transformou-se em drama. Desde há três anos que as contas da Madeira são falseadas e os «cubanos» vão ter de pagar muito caro o bilhete de circo. Havendo sempre um fantasma a pairar – o buraco agora descoberto pode ser apenas o topo do icebergue e virem aí mais buracos, financeiros e morais…
Conheço a Madeira e acho que nada do que se tem feito – estradas, túneis, é demais. A solidariedade nacional obriga a que zelemos todos pelo bem-estar de todos. O que preocupa não é o que se fez. A questão é – quantas fortunas terão nascido à sombra do que se fez?
Isso, sim, é preocupante.
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Um forte abraço pelo texto, Carlos. Correcto, incisivo, bem feito. Pena é que se tenha de gastar tempo a escrever sobre tão vil e desavergonhada criatura. Se ao menos contribuisse para o meter na pildra! Ora, ora! Como dizia a minha mãe, ele parece que deu água de cu lavado a toda a gente.
Tudo o que este homem faz e diz só me dá vómitos. E mais vómitos me dá a cobertura que sempre tiveram a sua mediocridade , ordinarice, boçalidade, abuso de poder sobre tudo e todos e o que mais se queira chamar ao que compõe a sua personalidade.
De acordo. No entanto, esse escrúpulo de debatermos o que se está a passar na Madeira, é aliado doe Alberto João Jardim. A Madeira tem a importância que tem – temos concelhos no Continente com o dobro da população, muito maiores, com um PIB muito mais elevado. No entanto este buraco nas contas é monstruoso e, ao contrário do que Passos Coelho disse ontem na entrevista, vai ter reflexos negativos e obrigar-nos a fazer sacrifícios maiores dos que já estavam previstos. O homem é uma besta, não justifica que se perca um segundo a falar nele. A cobardia dos políticos, do PSD e do PS, deram-lhe oportunidade de se transformar num grande problema. Diziam-me ontem que estes cento e tal mil milhões podem ser apenas a ponta de um icebergue. Acho que se justificava uma grande manifestação exigindo a prisão imediata dele e dos cúmplices. Neste momento é preciso dedicarmos atenção a este problema.
Estou de acordo, tem que se falar e muito. Afinal, segundo ouvi ontem à noite, o buraco é muito maior do que esses cento e tal milhões. Já sabemos quem vai pagar. Na rádio, dizia uma mulher reformada há vinte anos: “se houver revolta, morra ou não, sou a primeira a ir para a rua”.