Prioridade à autodeterminação

Gernikako Arbola

 

 

PRIORIDADE À AUTODETERMINAÇÃO

 

A coligação basca Bildu (“Reunir””, em basco) – formada em Abril de 2011 pelos partidos Eusko Alkartasuna (EA) e Alternatiba a que se juntaram os colectivos Herritarron Garaia, Araba Bai e independentes da esquerda basca -, apresentou-se às eleições “regionais e municipais” de Maio de 2011 nas comunidades do País Basco e Navarra, em que obteve resultados muito significativos tornando-se na segunda força do País Basco, atrás dos nacionalistas conservadores do Partido Nacionalista Basco (PNV)  e à frente dos espanholistas dos PSE (PSOE no País Basco) e PP, tendo mesmo vencido em várias localidades.

 

Em Agosto, Bildu avançou uma proposta para que os partidos nacionais bascos concorressem juntos às eleições do próximo 20 de Novembro para as Cortes espanholas, na base duma abordagem nacional para Euskal Herria (País Basco) e para lá dos interesses e programas político-partidários específicos.

 

A proposta visava englobar em listas comuns diversas formações pró-soberanistas e independentistas e foi feita também ao PNV e ao partido Aralar. As primeiras reacções do PNV foram no sentido da rejeição enquanto em recente congresso o Aralar apoiou a ideia.

 

O objectivo é duma candidatura comum que potencie o voto basco, e consequentemente a representação, favorável à autodeterminação e com vista à reafirmação – pela via política, democrática e pacífica – do País Basco como nação com direitos democráticos, defesa dessa entidade nacional sob o princípio de que “Euskal Herria tem a palavra e a decisão” e apresentação à sociedade basca dum projecto económico, de justiça social e democrático.

 

Os representantes às Cortes assim eleitos poderiam, ali, com outras forças nacionalistas galegas e catalãs fazer frente comum na reivindicação do “direito a decidir do próprio destino” das nações que hoje fazem parte do Estado espanhol.

 

A realçar na proposta do Bildu que a mesma rompe com a atitude tradicional da esquerda que associe a luta pela independência nacional à instauração duma sociedade socialista, considerando que é esta que dá sentido àquela. 

 

Ora, tal inviabiliza a mobilização convergente doutras forças para o que é comum e com valor em si mesmo – o direito à autodeterminação – ao atribuir preponderância ao estado final – o socialismo – sobre o processo de libertação – a independência nacional.

 

Sai reforçado o poder opressor que divide para reinar.

 

  

Diferentemente, a proposta do Bildu considera como questão principal, ou se se preferir como elemento central do confronto político próximo, o das relações entre a nação oprimida – o País Basco – e o Estado imperial opressor – Espanha, transpondo o problema nacional para o plano da luta pela liberdade e do respeito pelas decisões democráticas dos povos.

 

Posição que poderá ser politicamente mais eficaz que a puramente ideológica e, certamente, mais difícil de enfrentar por parte de quem se impôs pela força e centralizou o poder e que, querendo afirmar-se democrático se vê, assim, confrontado com uma prática que o não é, ao impedir povos e nações sob o seu domínio de exercerem um princípio fundador da democracia – o direito soberano dum povo decidir do seu autogoverno.

 

Se a libertação do fascismo justificou a aliança das forças antifascistas, para lá das suas divergências ideológicas e programáticas, em prol da resolução da questão principal – o fim da opressão – porque não pode a libertação nacional seguir o mesmo caminho – a prioridade à autodeterminação -, deixando para mais tarde, em liberdade, a discussão democrática das propostas alternativas de organização da sociedade?


 

Leave a Reply