Gonçalo Vasques de Goes (Séc. XIV)
Filho legitimado de Vasco Farinha de Goes e de Mariana Peres, abadessa. Em Maio de 1297 é-lhe confirmada a jurisdição das terras de Góis. Fez carreira de prestígio no “Desembargo Régio”, nos reinados de D. Afonso IV e de D. Pedro, com posição de confiança junto da família real. No tempo de D. Pedro I, ocupou o lugar de escrivão da puridade, um cargo na época de grande destaque, espécie de ministro de despacho e expediente. D. Pedro fez-lhe várias doações e nomeou-o um dos seus testamenteiros. Estabeleceu o primeiro foral do senhorio, em 5 de Janeiro de 1314, o primeiro contrato escrito entre os senhores de Góis e os residentes. Casou duas vezes, a primeira com Maria Gomes César, a segunda com Maria Rodrigues, qualquer delas sem geração. O senhorio passaria para seu sobrinho Martim Vasques de Goes. Ao longo da “dinastia” dos Goes, que se estende ao longo de onze gerações, o senhorio foi sendo consolidado, com forais, com edificação dos Paços Velhos, com irmandades, e surgindo uma organização concelhia. Lutas fratricidas pela sua posse não faltariam, mas não impeditivas da sua continuação. A perda de varonia, ocorrida na segunda metade do século XV, faria apagar localmente a sua linhagem. Eram os tempos do final da Idade Média, em que a mulher, com a consumação do matrimónio, e contrariamente a épocas mais remotas, são menos donas da riqueza, nomeadamente o de dispor dos bens que levava para o casamento. Vamos distinguir duas épocas ao longo deste tempo senhorial. A primeira abrange a vivência de duas famílias, a dos Góis (1114 – 1459) e a dos Silveira (1459 – 1617), ambas famílias da Corte, de prestígio, com altos cargos na Administração Pública e intervenientes em acções importantes no país. Seria também o início da família Goes, que iria marcar presença relevante na constituição do reino de Portugal; tanto nas lutas militares, na reconquista aos mouros e contra os castelhanos, como na administração pública, na política, na religião e nas descobertas de além-mar. Em 1114, ano do mais antigo testemunho escrito de que se tem conhecimento, sobre a existência de um aglomerado populacional denominado Goes. Trata-se da doação das terras de Góis a Anaia Vestrares, por D. Teresa e seu filho infante D. Henrique, para serem administradas. A data provável deste documento, 13 de Agosto, viria servir de referência para fixação do dia do Feriado. Em 1114, D. Teresa e seu filho infante Afonso Henriques doam as terras de Góis ad vitam aeternum. Seria o início de um senhorio que se manteria na mesma família, de geração em geração, durante sete séculos, só terminando com o fim desse regime de administração de terras, com a revolução do Liberalismo. Gonçalo Vasques de Goes é um homem do rei que serve o amo com a dignidade que o distingue. Escrivão da puridade de D. Pedro I entre 1357-1367. Enviado a Castela para receber D. Constança, Gonçalo Vasques de Goes aparece também como escrivão de D. Pedro, ainda infante, na redacção do instrumento de concórdia, após a paz de Canaveses. Será mais tarde testamenteiro do monarca. Escrivão da puridade era a designação atribuída a partir do século XIII ao escrivão responsável pelos documentos particulares do rei. Era, assim, um homem de confiança dos monarcas. No reinado de D. Pedro I, este funcionário passou a ser detentor do Selo de Camafeu ou Selo da Puridade, que permitia autenticar documentos régios, sem necessidade de passar pela chancelaria.
