Lou Salomé, conheceu Freud em 1911, no Congresso da Associação Psicanalítica em Weimar. O entusiasmo que sentiu foi tal que a esta disciplina se dedicou aprofundando os seus estudos. Já estava com 50 anos de idade e Freud com 55 e ambos enfrentaram problemas de saúde.
Freud chamou-lhe “o poeta da psicanálise” e ela dele disse: “rosto paterno que presidiu minha vida”. Carta de Freud a Lou ( 11.5.27): “Minha querida e indómita amiga! Li a sua carta de aniversário com a mesma sensação que se tem, sentado ao lado do fogo, no inverno, aquecendo-se em seu calor.”
A relação entre os dois ia ao ponto de Freud não hesitar em dividir as suas dúvidas, até mesmo as de carácter pessoal, em comentar os seus trabalhos com ela. Por exemplo, o seu ensaio sobre “Moisés e o Monoteísmo”, foi integralmente enviado a Lou antes da sua publicação e sobre ele trocaram impressões.
Na sua carta de 27/07/1916, Freud comentou os acontecimentos da guerra: “(…) Não tenho dúvidas de que a humanidade sobreviverá até mesmo a esta guerra, mas tenho a certeza de que, para mim e meus contemporâneos, o mundo jamais será novamente um lugar feliz. E, o mais triste de tudo é que temos aqui exatamente, o modo pelo qual deveríamos ter esperado que as pessoas se comportassem, a partir do nosso conhecimento sobre a psicanálise. Devido a essa atitude com relação à humanidade, nunca pude concordar com o seu jubiloso otimismo. Minha conclusão secreta sempre foi: desde que só podemos considerar a mais elevada civilização atual como carregada de uma enorme hipocrisia, conclui-se que somos organicamente inadequados a ela. Somos forçados a abdicar e o Grande Desconhecido, Ele ou Alguma Coisa, emboscado atrás do Destino, algum dia repetirá essa experiência com outra raça (…)”.
Em momentos em que começaram a surgir divergência entre os psicanalistas (Fliess, Adler, Jung) Lou foi como que uma espécie de mediadora entre eles.
Stéphane Michaud no livro “Lou Andreas Salomé”( Edicções Asa, Porto, 2000) considera: … “O fundador da psicanálise trata Lou como um membro da família e continua a fazer-lhe chegar as importâncias em dinheiro necessárias à sua subsistência”…..“Mais do que “entendedora”, Lou é a poetisa, a artista da psicanálise. Vinda da literatura e não da medicina, assume espontaneamente esse papel de mediadora virada para um publico esclarecido”.
No livro “Freud/Lou Andreas-Salomé – correspondência completa” (Imago Editora, Rio de Janeiro, 1975), Ernst Pfeiffer diz:…(Lou dissera uma vez que era) “como se eu estivesse chegando a um encontro comigo mesma através de um túnel que tivesse sido escavado no intervalo”.
Em 1931, Lou tornou pública sua gratidão para com Freud, publicando o livro “Carta aberta a Freud”, quando este completou 75 anos. E nele diz: “A psicanálise não criou nada: não inventou em todas as suas peças uma quimera intelectual; o seu trabalho de pesquisa descobriu e trouxe à luz do dia um relatório vivo – as águas subterrâneas voltam a agitar-se e o pulso, suspenso por momentos, volta a bater”. (entrevista de Freud à BBC)




Muito bom este teu trabalho, Clara. E este vídeo é uma preciosidade.
Clara, maravilhoso trabalho!