OS HOMENS DO REI – 25 – por José Brandão

Conde de Andeiro (? -1383)

 

 

 

João Fernandes de Andeiro, era um fidalgo galego, natural de Andeiro, na Corunha, que se pôs ao serviço de D. Fernando quando este invadiu a Galiza. Contribuiu directamente para o estabelecimento de uma aliança entre D. Fernando e o duque de Lencastre, tendo vindo a Portugal em missões diplomáticas. Quando chegaram a Portugal tropas inglesas comandadas pelo conde de Cambridge, João Fernandes de Andeiro acompanha-as. Recebeu o título de Conde de Ourém.

 

Após a morte do rei de Portugal, tornou-se o chefe do partido da rainha viúva D. Leonor Teles, de quem foi valido, conselheiro e amante, situação que causou grande agitação entre os populares.

 

Para impedir a perda de independência que se adivinhava, Álvaro Pais e o conde de Barcelos, prepararam uma conjuntura, sentenciando à morte João Fernandes Andeiro, favorito da rainha, que era, na verdade, quem tudo mandava e governava.

 

Da execução do plano foi incumbido D. João, Mestre de Avis, fidalgo de muitas simpatias populares. Correndo, num momento, com os seus apoiantes aos Paços de São Martinho, o Mestre de Avis ali mesmo apunhalou o Conde Andeiro. Os seus amores com a rainha e a sua ligação ao Partido Castelhano explicam o seu assassinato em 1383

 

Após a morte do conde, D. Leonor Teles fugiu para Alenquer e dali para Santarém, donde solicitou auxílio a seu

genro, rei de Castela.

 

Forma-se o Governo. João das Regras é nomeado chanceler-mor. Nomeia um conjunto de personalidades para formar o Conselho que há-de dirigir o país enquanto não ficar decidido qual o rei escolhido.

 

Leonor Teles, que está em Santarém, chama o genro, D. João de Castela. Este, atravessa a raia, chega a 12 de Janeiro de 1384, com um forte exército. Algumas terras hesitam em o combater porque muitos fidalgos tinham tomado o partido de D. Beatriz. Eles punham o compromisso de honra, de serem fiéis ao rei, acima do dever inalienável de defender a Pátria. O rei recebe D. Beatriz, que na altura tem 10 anos e lhe está prometida. Leva-a para casar aos 12, como era norma naquele tempo.

 

Os Castelhanos cercam Lisboa, por terra e mar, durante sete meses. D. João está sitiado em Lisboa, mas recebe a notícia que o Porto o apoia incondicionalmente. Lisboa resiste. Um surto de peste dizima as hostes inimigas. A rainha D. Beatriz é atacada pelo mal. O inimigo levanta o cerco.

 

O povo, que entretanto tinha apelidado Leonor Teles de brejeirices jocosas, viu com muito pouco agrado a sucessão do trono por D. Beatriz, o que equivalia ao governo por Castela, já que esta, apesar do carácter pouco claro que envolveu o seu casamento, estava agora casada com o rei de Castela.

 

Como melhor opção aparece, então, D. João, Mestre de Avis e filho bastardo de D. Pedro e D. Teresa Lourenço. O Mestre tornou-se porta-estandarte da luta popular, e a espada com que matou o conde Andeiro, com o qual a «Pérfida» Leonor Teles vivia na mais descarada concupiscência, não era a sua, mas a do Povo.

 

Em 1385 estavam já esclarecidos e traçados os destinos de Portugal. Para trás ficava a Revolução que conduziu ao trono o Mestre de Avis tornado D. João I de Portugal. As intrigas e disputas amorosas e políticas de D. Leonor, mulher de D. Fernando, a vergonhosa relação mantida com o conde Andeiro e um sem número de peripécias pertenciam ao passado.

 

D. Leonor Teles foi a mais perversa e afortunada amante dos reis de Portugal. Perversa porque foi capaz de tudo para conseguir os seus fins, inclusive provocar a morte da própria irmã, afortunada porque chegou a rainha de Portugal, casando com D. Fernando. Leonor Teles morreu em 1386.

 

A seguir:João das Regras

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