Aceitação dos mitos da violência doméstica e variáveis preditoras – I, por Ana Afonso Guerreiro

 

 

 

 

 Conceção gráfica: José de Brito Guerreiro

 

 

 

 

 

 

 

I

Nas primitivas hordas nómadas, os homens e as mulheres viviam da caça e da pesca, integrados em grupo e desempenhavam papéis idênticos. Quando as populações passaram a viver sedentariamente e a viver da agricultura e pastorícia, os seus papéis  começaram a diferenciar-se (Almeida, 1995). No Neolítico, período de sedentarização e início da agricultura, os modos de vida suponham uma organização social adaptada, com uma divisão dos papéis entre homens e mulheres (Vidal & Browaeys, 2006). Os homens passaram a ter uma missão social e a mulher uma missão doméstica e de procriação, fundamentada por diferenças biológicas (Almeida, 1995). As diferenças entre homens e mulheres, permitiram ao homem alcançar um papel de maior destaque e poder em relação à mulher. Este processo desenvolveu uma forma discriminação baseada no género da pessoa, o sexismo. A literatura inicialmente centrada numa perspectiva mais clássica, de avaliação negativa traduzida em crenças ou inferioridade em relação à mulher, foi enriquecida nos últimos anos com diversos trabalhos (e.g. Tougas et al., 1995; Formiga et al., 2002) em particular com o estudo de Glick e Fiske (1996) propondo que o sexismo é ambivalente, ou seja, coexiste no indivíduo através de duas formas: hostil e benevolente. Estas formas traduzem-se nas relações intimas através do cavalheirismo paternalista, atitudes gentis e protectoras para com as mulheres, (Glick et al., 2000). A mulher parece aceitar o sexismo benevolente, reforçando assim, o maior poder dos homens e ainda sentindo-se recompensada por isso na medida em que esse poder a protege (Ferreira, 2004). Por outro lado, a valorização do amor romântico incute na mulher o desejo de ser amada e protegida pelo “príncipe encantado”, romântico, cavalheiro, protector, mas em contrapartida hostil, que de forma subtil…desvaloriza-a.

 

Guerreiro, A.A. (2011). A aceitação dos mitos da violência doméstica e as variáveis preditoras. Dissertação de Tese de Mestrado. Universidade do Algarve, Faculdade Ciências Humanas e Sociais.

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