CONSULTÓRIO LINGUÍSTICO (VII) – por Magalhães dos Santos

VÍRGULA(S)

 

A nossa Amiga E. S. tem um probleminha com vírgulas. “Nunca põe TAMBÉM entre essas varinhas, ou talvez só em casos excecionais, mas muita gente o faz. Qual a forma correta?” Não me é fácil ou… é-me difícil responder… Estas coisas da pontuação… São coisa tão variável… Tão dependente da interpretação a dar à frase… Num trabalho meu – MODOS DE DIZER – lá para o fim, dizia eu: “… talvez possa ter alertado para as dificuldades que a um ator ou a um encenador se deparam quando algum deles tem de interpretar ou encenar um texto. Que inflexão dar a esta frase? Quem é a personagem que vive aquela tragédia ou aquele drama ou aquela comédia ou aquela farsa? Em que meio se move? Que profissão exerce? De quem gosta e quem gosta dele? Que amores e que ódios o agitam? Que passado tem? Que futuro pode ele esperar? Tudo perguntas cujas respostas vão determinar o tom de voz, a postura física, o riso, o choro, as pausas, a precipitação no falar… E, no entanto, se não todas, muitas interpretações podem ser legítimas, estar corretas… Pois se até o físico do ator – se ele é grande e forte como uma torre, se ele é maneirinho, de proporções mais… contidas – se até o seu físico pode determinar o modo de atuar!” (Fim da citação do meu texto). Fui procurar ao GRANDE DICIONÁRIO DE DIFICULDADES, DÚVIDAS E SUBTILEZAS DO IDIOMA PORTUGUÊS” (obra de 1958), de Vasco Botelho de Amaral. A entrada VÍRGULAS ocupa nove páginas e meia, mais de três mil palavras, mais de quinhentas linhas. (Neste artigo, aqui, já eu vou duzentas e sessenta e cinco palavras, mil duzentos e onze carateres, trinta e tal linhas. O aconselhável em artigos destes, para não atingirem a condenável dimensão de indormíveis “lençóis”, são dois mil carateres, mais coisa, menos coisa). Do também grande artigo do Prof. Botelho de Amaral imaginam já que vou transcrever pouquíssimos parágrafos. (Seriam dois mil trezentos e vinte e nove carateres, se fosse transcrevê-los todos… Muito vou podar…. E mesmo assim…) “a vírgula serve, na essência, para sinalizar os cortes das frases, as divisões menores de uma frase, a pausa leve”. “Afirmar que antes de um E (conjunção copulativa) não se emprega vírgula é exagero. Muita vez a conjunção E admite e até exige vírgula, quando há ênfase e contraste. «Ele é bom, e tu só pensas na maldade…” “(…) o que seja intercalado, interferente, incidente, encravado, repartido, dividido pede (…) uma vírgula. (…) verbos, como dizer, declarar, responder, exclamar, objetar, prosseguir, quando intercalados” podem ir entre vírgulas ou entre traços (…) e parênteses. ‘Basta, disse ele, basta de tanta injustiça”. (Esta frase até parece de 2011…) “Por isso, é erro crasso marcar vírgula entre sujeito e predicado ou entre verbo e seu complemento, pois seria absurdo partir a ligação mental entre sujeito e predicado e verbo e complemento. (Evidentemente é também erro crasso colocar a vírgula entre um verbo e um «que» introdutor de oração integrante. Por outras palavras, o que pedido para completar o sentido de um verbo não admite vírgula. Exemplo: «Peço-te que venhas cá”. Erro seria pôr vírgula antes do que)”. (Fim da citação da obra de V. B. Amaral)

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