Circula pela net o diálogo entre Mazarinno e Colbert – Jules Mazarin, ou seja Giulio Mazzarino, estadista italiano, primeiro-ministro de França de 1642 até 1661 e Jean-Baptiste Colbert, criador de uma doutrina económica. Ambos serviram o rei Luís XIV – o cardeal como chefe do governo e Colbert como responsável pelos assuntos económicos de França. O diálogo nunca terá tido lugar, mas podia ser adaptado à situação que atravessamos – pondo, por exemplo, Salazar a aconselhar Passos Coelho. Um «Diálogo imaginário», como os que A Barraca organiza – deixamos a sugestão ao Hélder Costa. Então seria assim:
Passos Coelho – Para arranjar dinheiro, chega-se a um ponto em que enganar o contribuinte já não chega. Senhor Professor, explique-me como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Salazar: – Um desgraçado, se não paga as dívidas, é preso. Mas não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, continua-se a lançar impostos…
PC: – Mas já criámos todos os impostos… não podemos lançar mais impostos sobre os mais pobres – sobre os sem abrigo, por exemplo…
S: – Sim, isso é impossível.
PC: – E sobre os ricos?
S: Sobre os ricos, nem pensar. Sairiam do país.
PC: – Então, o que fazer?
S: – Pensas como um queijo ou como um penico de doente! Grande maioria das pessoas vive entre os milionários e os sem-abrigo. São os que trabalham para fugir à miséria e os que trabalharam toda a vida, foram sangrados com impostos e vivem de pensões. São eles que pagam tudo e é sobre esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!
O diálogo imaginário pode continuar. Mas a realidade é mais dramática.
O Expresso on line de ontem revelava os rendimentos de 15 políticos portugueses, antes e depois de terem passado pelo governo. Houve um ou outro nome que causou surpresa; outros, nem tanto
Não vamos aqui falar sobre isso (deixamos o link) Mas é um escândalo que gente dos partidos que se revezam no Governo, aproveitem os cargos para enriquecer. Os dinheiros comunitários esvaíram-se em obras, auto-estradas, hospitais, escolas – infra estruturas. Alguém saberá fazer um cálculo de quanto foi parar inviamente a bolsos de gente que se aproveitou dos cargos no governo para ficar rico? Seria curioso, agora que nos apresentam a factura, sabermos por quanto é que realmente devíamos ser responsabilizados. Mas nunca saberemos isso. Só nos dizem que é preciso pagar. A falta de pudor desta gente é maior do que a dos políticos do salazarismo.
Há uma diferença – estes roubam legitimados pelo nosso voto. Será essa a única diferença entre o fascismo e «esta» democracia?

É isto.Quando há um buraco, alguma coisa dali se retirou. Se fizermos um buraco no chão, temos de retirar a terra para o lado. O que falta no buraco há-de estar algures.Descobrir que há um buraco não chega. Importa é saber para onde foi o que lá falta. E não me parece difícil. Investigue-se as fortunas dos políticos, dos governantes, administradores, empreiteiros, enfim dos (ir)responsáveis. Quem o tirou é que o lá há-de colocar nem que seja com língua de palmo.Há um buraco na Madeira que, não tenho dúvidas , é o grande causador do roubo dos meus subsídios e do de muitos que como eu em nada para ele contribuíram. Bem pelo contrário, toda a vida trabalhei como cidadã honesta em prol de um país digno e justo.Acima de tudo é preciso saber para onde foi a terra dos buracos. Infelizmente isto já não são buracos. Isto tem sido é uma mina!
No Conselho de Ministros terá sido a Paula Teixeira da Cruz, mais esperta do que eles, a convencê-los a tirarem os subsídios só aos funcionários públicos e respectivos pensionistas. O Passos Coelho e a mosca ensonada do ministro das finanças queriam tirá-los a toda a gente tendo o insecto proposto retirarem-se 14% aos salários. Lamento que ela tenha salvo a honra do convento porque, assim, tinham-se enterrado duma vez por todas e, talvez, as pessoas reagissem com mais força.