OS HOMENS DO REI – 45 – por José Brandão

D. Aleixo de Meneses (? -1569)

 

Era filho de D. Pedro de Meneses, 1.º conde de Cantanhede. Desconhece-se a data exacta do seu nascimento, sabendo-se que morreu em 1569. O seu filho, D. Frei Aleixo de Meneses, nasceu a 25 de Janeiro de 1559 e foi o 18.º Governador da Índia. D. João III e D. Catarina de Áustria nomearam D. Aleixo e sua irmã, D. Joana, aios do príncipe D. Sebastião. No entanto, só quando este chegou aos cinco anos de idade D. Aleixo desempenhou efectivamente o cargo. Foi aio do príncipe até este se tornar rei, em 1568, aos catorze anos.

 

As suas funções incluíam a assistência às lições de D. Sebastião e, se o julgasse necessário, a substituição das lições que os mestres ensinavam. Seu aio, D. Aleixo de Meneses, havia lhe deixado uma série de conselhos que nunca usou (não se deixasse conduzir por fidalgos jovens, não empreendesse projectos inúteis e temerários, não se afastasse quer da sua avó quer do seu tio e principalmente nunca entregar ou partilhar o governo com religiosos). Mordomo-mor da rainha D. Catarina a partir de 1545, foi nomeado aio de D. Sebastião mal este nasceu em 1544, mas só veio a exercer o cargo de 1558 a 1568.

 

Era ele quem decidia os livros que D. Sebastião devia usar para estudar, determinava o tempo e as matérias a aprender. Paralelamente a isto, D. Sebastião viveria tranquilamente, sob o olhar de sua avó que se tinha revelado uma educadora valorosa e uma rainha inteligente. A par do mestre jesuíta Luís Gonçalves da Câmara, um humanista, conhecedor das línguas francesa e italiana, foi nomeado para seu aio D. Aleixo de Menezes. Para além disto, o jovem monarca era muito inteligente e impressionável, que convivia com as lamentações de uma política de D. João III, que havia entregue aos muçulmanos algumas praças conquistadas à custa de muitas vidas. Tudo isto o influenciara. D. Aleixo de Menezes formou um militar valoroso, incutindo ao jovem exemplos de heróis gloriosos, o valor das armas e da coragem.

 

O rei adolescente, como qualquer jovem de vocação guerreira, sonhava com actos de bravura cavaleiresca e com os louros militares, sobrestimando as suas forças. Por seu lado, o padre jesuíta, fazia de D. Sebastião um monge, devotado a uma vida ascética, desenvolvia o seu espírito no sentido religioso, quiçá, preparando o futuro, com um rei controlado e governado por uma poderosa instituição – a Companhia de Jesus. O resultado final desta combinação de educações e formações foi de um verdadeiro templário, um monge-cavaleiro. D. Sebastião recebeu uma importante formação, cresceu na expectativa de que havia sido escolhido para grandes feitos. O quotidiano do jovem rei pendulava entre a leitura de livros de história e religiosos e as caçadas que lhe dariam enorme prazer, desafiando o perigo.

 

Em Outubro de 1542, quando a infanta D. Maria se deslocou a Castela para o casamento com Filipe II, D. Aleixo acompanhou-a como mordomo-mor. Este só regressou em Julho de 1545, para ocupar o cargo de mordomo-mor da rainha D. Catarina, depois da infanta morrer quatro dias após o nascimento do príncipe D. Carlos. D. Aleixo era já de idade avançada, antigo combatente de África e da Índia, havia sido embaixador junto de Carlos V e ainda mordomo-mor, primeiro da princesa D. Maria e depois de D. Catarina. Foi nomeado por D. João III provedor das praças africanas do norte quando regressou a Portugal. Finalmente, foi substituído por um conselheiro mais novo por decisão das Cortes de 1562.

 

A seguir: Luís Vaz de Camões

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