As Revoluções e as Desigualdades – 2. Texto de Paul B. Farrell e gráficos seleccionados por Júlio Marques Mota

(Continuação)

 

Sim, foi-se apanhado  pelo  “Great Gatsby Syndrome”, uma anterior versão do actual delírio dos Super-Ricos.  A cegueira era tanta em 1929 que o presidente, Wall Street, toda a América tinha sugada … até que a massa crítica atingiu um misterioso ponto de de calor, de ignição,  provocando o acidente.

Sim, estamos a reviver o passado – nunca aprendem, nunca ouvem. E estranhamente não são só os excessos do Partido Repúblicano, o Obama constantemente predisposto aos compromissos ou a excessiva arrogância incapaz de levar os banksters (banqueiros / gangsters) de Wall Street à falência, os multimilionários da Câmara de Comércio os arrogantes bilionários da Forbes 400. É toda a psique política, económica e financeira que está infectada, como se o nosso ADN, com esta lógica, à electricidade tivesse sido ligado.


A massa cinzenta da América está  prisioneira neste delírio dos super-ricos,  repetindo os preparativos para o novo grande crash de ’29.

Também ninguém previu em 2011  as revoluções no mundo árabe rico em petróleo. Atenção: Mubarak, Kaddafi, Ali, Assad, mesmo os sauditas também viveram na ilusão de super-ricos. Desde há já há muito tempo. Estes eram vulneráveis. Prontos para uma revolução. Eles, também, sinceramente acreditavam que estava divinamente protegidos, escolhido para a  grande riqueza terrena, tinham grandes exércitos.


Então, de repente, do nada, uma “recém-formado, desempregada e frustrada” geração se voltou contra eles, está-se agora a  revoltar, a exigir  a sua parte dos benefícios económicos, das oportunidades, está a provocar revoluções, está a procurar retribuição.

Ainda assim, ninguém quer acreditar que isto vai acontecer  mais tarde  aqui na América? O terceiro grande crash do mercado do século 21? Uma nova revolução económica prestes a explodir na nossa cara? Não, ninguém quer acreditar, não, não podemos  acreditar … cada nós, estamos todos contaminados pela ilusão dos super-ricos, assim como os americanos o estavam  igualmente  nos Loucos Anos Vinte.

Olhe para as estatísticas oficiais: a última vez  que a diferença  na riqueza dos americanos entre os super-ricos e os outros 99% restantes foi tão grande,  foi exactamente antes do crash  de 1929, antes da  Grande Depressão.

Ninguém  se lembra? Ou ninguém acredita que venha a ser assim? A América está prisioneira da  “sua negação final “, o ponto de partida do arranque para a grande queda. Muitos ainda vivem na falsa esperança que lhes dá esta  ilusão dos super-ricos. Se acreditamos nas  estatísticas do governo a incentivar a recuperação económica? Acreditamos na maneira absurda  com que  Wall Street se recusa a encarar a hipótese de uma nova bolha  especulativa? Acreditamos nos  anúncios enganosos da Exxon-Mobile, sobre as reservas  de energia?  Acreditamosem  Bill Gross, quando este afirma que se deve demitir o Secretário de Estado do  Tesouro  e comprar os  títulos dos  países emergentes? Sonhemos então.

Comece a preparar para a terceira crise do século 21 e para a  depressão.

Negação e mentiras. Lembremo-nos de  que 93% do que se  ouve sobre os mercados, das finanças e da economia são suposições, ilusões e mentiras que se destinam  a manipularmos e  a tomar decisões que nos levam o dinheiro de seus bolsos para  Wall Street. Eles ficam ricos a dizer  mentiras sobre os valores mobiliários. Eles odeiam as regras prudenciais  da SEC até porque esta os quer forçar a dizer a verdade.

Mas o facto é de que, numa base ajustada pela inflação, Wall Street perdeu cerca de 20% do nosso  dinheiro que destinávamos às nossas reformas na década de 2000-2010, ou seja mais de 10 milhões de milhões de dólares . E a “exuberância irracional ” é para o que Robert Shiller alerta acerca da vinda de um terceiro  colapso económico. É melhor começarmo-nos  já a preparar agora.

Antes de se voltar  a apostar mais nos bem equipados casinos de  Wall Street , devemos  pensar mesmo muito nos mega produtos tóxicos escondidos  no  grande delírio dos americanos super-ricos, uma pandemia que nos altera  a mente infectando os dirigentes da nossa nação, em Washington, a América das grandes empresas assim como infecta  Wall Street … mas devemos pensar também nas políticas de baixa de rendimentos dos mais pobres (trickle down)  que infecta muitos americanos. Ouçamos:

 

1. Aviso: os super ricos querem  a redução de impostos, criando o desemprego nos jovens

 

A agência Bloomberg adverte: “Os nossos jovens não estão bem – the Kids Are Not Alright”. A nível mundial,  o desemprego dos jovens está a alimentar uma  revolução. Num artigo  do New York Times, Matthew Klein, investigador de 24 anos no  Foreign Relations, traça um paralelo entre a taxa de desemprego de cerca de 25% entre os jovens revolucionários do Egipto e os 21% dos jovens trabalhadores norte-americanos: “Os jovens carregarão o peso da dor”, com os governos a quererem equilibrar os orçamentos. Os impostos sobre os trabalhadores serão aumentados e os gastos com a educação será cortados enquanto os subsídios para as  hipotecas e para os direitos para as pessoas idosas enquanto que   as reduções de impostos  serão para beneficiar os ricos. Oportunidades perdidas. “Quanto tempo mais para que  o resto do mundo desenvolvido ” venha a explodir como explodiu  o Egipto?

2. Atenção: os ricos ficam mais ricos com a especulação sobre os preços dos produtos de base, os pobres ficam com mais raiva

Em USA Today  John Waggoner adverte: ” A subida dos  preços dos produtos alimentares está a enviar milhões de pessoas para a situação de  pobreza, para  a fome: milho sobe cerca de  52% em 12 meses. Açúcar cerca de  60%, a soja cerca de  41%, o trigo cerca de  24%. Para 44 milhões de pessoas  “a subida nos preços dos alimentos significa uma descida para a pobreza extrema e para  a situação de fome, alerta o Banco Mundial.” Muitas causas: os especuladores, a subida dos preços do petróleo, as  políticas comerciais, explosão da população . Mas em conjunto expõem   completamente “as desigualdades de base e as questões relacionadas com os níveis de vida que estão já a ferver  sob a superfície”, diz um gestor  da Pimco.

3. Aviso: o tiquetaque da  bomba relógio a nível global a procurar visar os super-ricos

Um relatório especial da revista Time, “Pobres versus ricos: um novo conflito global”, avisa também  que “um conflito entre os dois mundos – o mundo dos  ricos e o dos  pobres – está em desenvolvimento  e o campo de batalha é o próprio planeta.” Somente 25 nações desenvolvidas com cerca de 750 milhões de cidadãos consomem a maior parte dos recursos do mundo, produzem a maior parte dos seus bens manufacturados e desfrutam do  mais alto padrão de vida de toda a história. “Mas eles estão a enfrentar  agora 100 nações subdesenvolvidas e pobres, com 2 mil milhões de pessoas, com centenas de milhões de pessoas a viverem na pobreza total , exigindo todos ” uma parte cada vez maior  daquela riqueza. “Pensemos no Egipto. Um dirigente  britânico chama a  isto uma  “bomba relógio para a raça humana.”

4. Aviso: a próxima revolução está a chegar vinda do  “Terceiro Mundo da América “. Estamos prontos  para uma: no seu recente  livro  “Terceiro Mundo da América” ​​Arianna Huffington avisa: “Washington correu para resgatar  Wall Street, mas esqueceu-se de resgatar a Main Street … Um em cada cinco norte-americanos está desempregado ou subempregado.  Uma em cada nove famílias são incapazes de fazer qualquer  pagamento por pequeno que seja com os seus cartões de crédito. Uma em cada oito hipotecas estão ou em incumprimento ou para execução da hipoteca . Um em cada oito norte-americanos vive com o subsídio do vale-refeição. A mobilidade ascendente esteve sempre no centro do sonho americano … mas agora  a promessa foi quebrada … O sonho americano está-se a tornar  um pesadelo. “Em breve irá implodir. O caos social, uma revolução, uma depressão.

5. Aviso: os super-ricos  devem ser desintoxicados do seu vício de ganância.

 

Em “Almoço grátis : Como os americanos mais ricos se enriquecem à custa do Governo (e nós é que levamos com a factura),” David Cay Johnston, avisa que os ricos são como os viciados, e para “o viciado, o dinheiro é como a cocaína, mesmo que  muita nunca é suficiente. ” Alguns anos atrás, uma elite de 300.000 americanos o” top dos  1% de mais rendimento tinham um rendimento quase igual ao de todos  os 150 milhões de americanos que compõem a metade inferior da escala de rendimentos  da nossa população. “O delírio dos super-ricos é uma  dependência, é um comportamento de drogado,  que requer uma desintoxicação dolorosa.

 

(Continua)

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