Diário de Bordo, 18 de Outubro de 2011


 

 

A navegação actualmente é feita em termos do orçamento e do nosso futuro. Umas individualidades com ar grave aparecem por todo o lado a tentar convencer-nos não haver alternativa para o famigerado documento. Não se consegue abrir a televisão, ou olhar para o jornal que lá levamos com um. No rádio, até o Nostalgia agora tem uns noticiários que também nos vêm enfiar na cabeça a fatalidade do empobrecimento para todos. Enquanto que volta e meio continuam a escorregar notícias sobre como determinados senhores se encheram de massa. A liberdade de informação que dizem existir devia permitir notícias mais optimistas.

 

Entretanto, num jornal de economia, salvo erro na sexta-feira passada, entrevistaram um responsável da Associação Nacional de Sargentos que declarou que as forças armadas não admitem ser usadas na repressão sobre o povo, e que no próximo dia 22 vai haver um encontro entre militares de diferentes escalões, em que o assunto vai ser abordado. É mais uma acha para a fogueira que o governo Passos/Portas anda a atear. A propósito, Paulo Portas por onde anda? Terá concordado com o corte dos subsídios de Natal e de férias? Ou estará na Antárctida a promover o comércio externo? Entretanto, o correligionário Bagão Félix disse duvidar que os subsídios alguma vez voltem a ser atribuídos.

 

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, esta noite esteve na televisão a tentar convencer-nos que este orçamento afecta-nos a todos por igual, e veladamente informou-nos que não se compromete com nenhuma data para a retoma do crescimento, ou para repor os subsídios cortados. Tendo-lhe sido perguntado como se chegou a este estado de coisas, respondeu que o governo só se preocupa com o futuro, e que haverá académicos ou outras personalidades que com certeza se irão debruçar sobre o assunto. Isto é, delicadamente informou estar-se maribando para o assunto.

 

Nós concluímos mais uma vez, pagam os do costume. E vão continuar na mesma ou pior problemas como o da Madeira (alguém acredita em que o Alberto João Jardim deixa de fazer as obras que entende? E que vai cortar os subsídios aos funcionários públicos de lá?), o dos bancos mal geridos (parece que o buraco do BPN está cada vez maior; o Américo Amorim sempre o comprou?) e outros que provocaram esta situação. As parcerias público-privadas toda a gente fala contra elas, a troika exigiu o seu fim, mas aqui parece que a vontade de obedecer já não é tanta…

 

Leiam o post As Revoluções e as Desigualdades que saiu aqui n’A Viagem dos Argonautas ontem às 22 horas, continua hoje, e acaba amanhã sempre à mesma hora, com um texto do Paul B. Farrell, (que saiu no Wall Street Journal, imaginem) e comentários do Júlio Marques Mota. Ajuda a perceber o panorama. 

 

Os Indignados continuam na rua. Dia 22 os militares reúnem. A Argos navega. Queremos que Portugal viva. E os portugueses merecem uma vida melhor. 

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