Diário de bordo de 19-10-2011

 

O termos publicado um comunicado da “Renovação Comunista” provocou estranheza em alguns dos que nos visitam. A entrevista do Bispo do Porto, terá surpreendido outros. Ontem publicámos o vídeo de uma entrevista que o professor Boaventura de Sousa Santos deu à SIC. Porém, não há que haver surpresas, pois daremos eco às vozes que se levantarem contra a política que o governo de Passos Coelho está a levar a cabo. E não temos de concordar a cem por cento, pois para tal seria necessário que o blogue tivesse uma doutrina política própria. O que não acontece. Somos mais de quarenta pessoas, ligadas por princípios básicos, mas com orientações políticas, religiosas, filosóficas diferentes. Perante uma situação tão grave, não faz sentido assumir posições sectárias.

 

D. Januário Torgal Ferreira, foi de uma grande frontalidade e fez declarações de uma grande importância. Não é preciso ser católico para o reconhecer. O mesmo se pode dizer do professor Boaventura de Sousa Santos que, num registo diferente, fez afirmações muito esclarecedoras. Vamos destacar algumas delas e fazemos notar que, em grande parte, elas coincidem com o que temos vindo a afirmar.

 

Referiu a necessidade de uma nova assembleia constituinte popular que defenda os estados e a Europa dos actos predatórios dos mercados financeiros não regulados. Chamou a atenção para o totalitarismo gradual que se vai instalando e para o facto de não temos uma classe política que saiba pensar para além das receitas do Fundo Monetário Internacional. Concluiu que nestas condições não há democracia funcional e que, mais tarde ou mais cedo, a desobediência civil terá lugar. Disse ainda ter tido acesso a um relatório confidencial da CIA que revela que os EUA admitem a hipótese de uma golpe militar na Grécia. Boaventura Sousa Santos afirmou não acreditar que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro e as medidas do FMI resultem positivamente, pois em nenhum outro país resultaram, terminando sempre em catástrofe e desobediência.

 

Declarações de grande importância, repetimos.

4 Comments

  1. Li o Diário de Bordo. É assim que se chama? E cito: E não temos de concordar a cem por cento, pois para tal seria necessário que o blogue tivesse uma doutrina política própria. O que não acontece. Somos mais de quarenta pessoas, ligadas por princípios básicos, mas com orientações políticas, religiosas, filosóficas diferentes. Perante uma situação tão grave, não faz sentido assumir posições sectárias. Há em tudo isto, um dado comum que nos une, a indignação perante o que se está a passar. Perante isto ninguém deve estar preocupado com as intersecções possíveis das linhas em que assenta cada um dos vários participantes nessa indignação geral. É irrelevante perante o drama que sob os nossos olhos se está a realizar, produto claro do neoliberalismo e da globalização gerada à medida dos pressupostos neoliberais aos quais não poderia faltar os Paraísos Fiscais.Para termos uma ideia de tudo isto relembremos Londres, do mês de Agosto. Ladrões, é o que todos nós dissemos. Isso não, é o que todos nós desejámos. Leiam-se agora alguns títulos dos jornais que aqui vos deixo em que para alguns dos artigos vos deixo um pequeno excerto e Londres torna-se mais claro e Lisboa torna-se mais próxima, tanbém :: 1. Londres ouvre la chasse aux détenteurs de comptes en Suisse2. Le Royaume-Uni comptera plus de trois millions d’enfants pauvres fin 20133. Le chômage atteint des records au Royaume-Uni 4. Au Royaume-Uni , rigueur et croissance anémique font exploser le chômage 5. Le milliardaire Warren Buffett publie sa feuille d’impôtsDans une lettre adressée à un membre du Congrès, le troisième homme le plus riche du monde a indiqué avoir gagné au total 62,8 millions de dollars l’année dernière, ramenés à une somme imposable de 39,8 millions de dollars après des déductions fiscales. Warren Buffett, qui soutient la tentative de Barack Obama defaire payer davantage d’impôts aux riches Américains, a précisé avoir payé un total de 6,9 millions d’impôts, soit un taux de 17,3 %.]6. [Prix agricoles mondiaux : comment mettre fin à la valse infernaleLa hausse récente du niveau et de la volatilité des prix agricoles constitue à nouveau, comme en 2008, une menace pour la pérennité de la sécurité alimentaire mondiale et expose de nombreux foyers et groupes vulnérables à un risque accru de souffrir de la faim, à l’image de la crise alimentaire qui frappe en ce moment la Corne de l’Afrique”, prévient le rapport “Relever le défi de la faim. Maîtriser les chocs et la volatilité excessive des prix alimentaires”, réalisé par l’Institut international de recherche sur les politiques alimentaires (Ifpri) avec les ONGConcern Worldwide et Welthungerhilfe de Bonn ]7. [“Sans régulations, la volatilité des cours va retrouver ses niveaux du XIXe siècle”Entretien avec Jean-Marc Boussard, économiste, membre de l’Académie d’agriculture Le virage le plus important n’a-t-il pas eu lieu lors des accords de Marrakech d’avril 1994 qui, tout en instituant l’Organisation mondiale du commerce (OMC), ont mis fin à l’exception agricole ?Les accords de Marrakech ont en effet ouvert la voie à la suppression de tous les garde-fous.]Pela parte que toca sem comentários, ou um apenas, como é possível que se tenha chegado ao ponto de se colocar um Passos Coelho no poder, como é possível ter deixado que um Sócrates a este tenha deixado o caminho todo aberto para a barbárie que agora se está a desencadear. Como é possível?.

  2. É um comentário mais valioso do que o singelo texto que o motiva. Talvez esta gente, com a sua política tresloucada e servil (ou vice-versa) nos esteja a fazer um favor, unindo-nos. Dos mais diversos quadrantes políticos chegam declarações consensuais ou muito próximas disso. Os cambiantes ideológicos, às vezes de contornos bizarros e imprecisos, estão a simplificar-se no claro-escuro do «é ou não é». É altura de escutarmos o que uns e outros têm a dizer, sem pôr os habituai carimbos. Talvez apenas sejam precisos dois rótulos – um que diga “ladrão” e outro que diga “roubado”. Obrigado, Júlio pelo teu excelente comentário.

  3. Pois é, Júlio, é quase a mesma pergunta que fez a rainha de Inglaterra aos Professores da London School of Economics , tanto quanto sei a nata das escolas de Economia , e que tanta gente tem feito: como não foi possível prever isto? Quando as sumidades daquela escola não foram capazes de entender o que se passava e dão justificações que me parecem esfarrapadas, fica mais do que provado que o problema é político, não é técnico. Porque tanta negligência não pode ter sido por falta de conhecimento.

  4. Neste momento temos que deixar de lado questões que ficam a milhas da gravidade da situação. É como tu dizes: muita gente de vários quadrantes está a tomar posições semelhantes. Quando um bispo qualifica de terroristas as medidas do governo, não restam comentários a fazer.

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