Na sua conferência apresentada na Fundação Gulbenkian, no dia 19.10, a que chamou “Recuperar a autoridade”, Daniel Sampaio foi à etimologia da palavra (“autoritas”) para se fixar na parte que diz respeito ao “poder do saber e da convicção”, afastando o poder da força.
Foi buscar o conceito do filósofo espanhol José Antonio Marina que diferencia a autoridade recebida (por mandato e que nem sempre é merecida) e a merecida – alcançada por mérito próprio, contrapondo a educação permissiva e indulgente que enfraqueceu o poder dos pais que recebem um mandato debilitado. Considera que lutar pela formação de um carácter forte e atento aos demais exige uma mistura bem doseada de firmeza e afecto, nem sempre conseguida pelos pais de hoje.
O autoritarismo do século passado é agora raro, até porque as crianças conhecem os seus direitos e depressa os denunciam. Mas em muitos lares, por contrapartida, instalou-se a permissividade, a uma falta de limites e regras que são prejudiciais ao desenvolvimento infantil saudável. A autoridade deve basear-se numa relação continuada de empatia, sentido do outro e confiança. Tudo o que põe em risco a segurança dos filhos não deve ser tolerado pelos pais.
Assim, esta crise de autoridade resulta de:
1 – crise das grandes narrativas explicativas; 2 – crise das instituições, da liderança; 3 – resposta ao autoritarismo pela permissividade; 4 – predomínio dos direitos com esquecimento dos deveres; 5 – predomínio do diálogo e negociação, quando há coisas que não são negociáveis; 6 – rejeição da estrutura com hierarquia com necessidade da procura da autoridade merecida; 7 – fragilização dos vínculos sociais.
Concluiu que a autoridade merecida se sedimenta na relação e na capacidade de transmitir um educação moral ou de carácter, um conjunto de orientações de princípios éticos que incluem o respeito mútuo, a hierarquia e a comunicação.
Lembrou o poeta António Maria Lisboa que dizia que a autoridade é a qualidade de ser autor. Se alguém for autor, então exerce uma autoridade.



