(1932 – 2010)
Um café na Internet
Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.
Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.
Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
– o único que sei.
Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.
Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.
Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.
Obrigado a dispersamente.blogspot.com, onde fomos buscar este excelente poema de Rosa Lobato Faria. Obrigado também a Zaida Paiva Nunes. Aos herdeiros de Rosa Lobato Faria pedimos que aceitem os nossos tardios pêsames, e que aceitem os nossos cumprimentos.


