DIÁRIO DE BORDO, 30 de Outubro de 2011

 

Parece que os mercados financeiros reagiram muito favoravelmente às últimas medidas tomadas pelos dirigentes europeus. As cotações dos bancos subiram por todo o lado, incluindo Portugal. As restantes cotações idem. Mas no chamado mercado da dívida os sinais são preocupantes. Pudera, os mercados (aliás, quem os controla) sabem muito bem que a recapitalização dos bancos vai ser suportada pelos orçamentos públicos (os tais que têm de ser emagrecidos de qualquer maneira) e portanto pelos contribuintes, de uma maneira ou outra. Só não vê quem não quer ver. Entretanto os bancos parecem preocupados com a hipótese de terem o Estado a participar na sua gestão. Tempestade pela frente.

 

Entretanto parece que a crise não detém os negócios suspeitos. Lemos no Sol da passada sexta-feira, dia 28 de Outubro, que os terrenos do antigo Hospital de Arroios, na Almirante Reis, foram vendidos num dia pela ESTAMO, sociedade responsável pela compra e venda dos imóveis do Estado, por 11,2 milhões de euros, e revendidos logo a seguir por 21 milhões. Um caso semelhante terá ocorrido há dias em Valongo, com alguém a auferir um lucro de 16 milhões de euros. Bom tempo para alguns, borrasca para as finanças públicas, horizontes muito carregados para a maioria.

 

A União Europeia, mais concretamente a Comissão Europeia, investiga a nacionalização do BPN, para apurar se a proposta de reestruturação está conforme as regras em matéria de auxílios estatais. Aguarda-se com ansiedade a conclusão. Até para saber se o banco é ou não propriedade de Américo Amorim, e se vai ou não ser encerrado.

 

Enquanto isto, foi prevista no OE2012 a  supressão da gratificação mensal de 106 euros aos professores do ensino especial que se deslocam a casa dos alunos, destinada precisamente a compensar as despesas com estas deslocações.

 

Em Inglaterra os Occupy London continuam acampados em frente à Catedral de St. Paul. Os responsáveis da igreja anglicana procuram diplomaticamente convencê-los a sair, alegando que estão a dificultar as visitas à igreja. O cónego Giles Fraser, simpatizante do movimento, demitiu-se, protestando contra a hipótese de ser usada violência contra os manifestantes. As autoridades levantam cada vez mais dificuldades, mas as simpatias pelo Occupy parecem aumentar um pouco por todo o lado.

 

Ainda em Inglaterra, foi aprovado pôr à prioridade masculina na sucessão real. Assim, quem herda o trono passa a ser o(a) filho(a) mais velho, portento independentemente do sexo. E também é suprimida a cláusula que impede o casamento do futuro rei(rainha) com alguém que perfilhe a religião católica. Avanços puramente simbólicos, dir-se-á, mas despertam interesse na opinião pública.  

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