Augusta Clara Pequeno episódio duma festa no jardim
Há dois dias que temos festa no jardim. Melhor dizendo, um grande sarrabulho.
O pato saiu da capoeira e abriu a porta do aquário, deixando sair o polvo.
A confusão é mais que muita. Fora de água, desambientado, o oct…, perdão (tínhamos combinado não utilizar os nomes próprios), o polvo espalhou o medo entre as pessoas.
Vê sombras atrás de todas as árvores. Saltitar de coelhos, chilrear de pássaros, riso de grandes e pequenos, para ele, é tudo o mesmo que o chiar de ratazanas.
Os argonautas ficaram assustados e o meu coelho fugiu.
O polvo terá respondido ao pato que lhe pediu contenção, sob pena de afugentar os convidados:
– Pato, porque não ficaste lá onde estavas, algemado? Cativaste-me, agora tens que acreditar no que te digo.
Não foi bem assim que a flor do Principezinho lhe respondeu. Mas não me apetece ir buscar o livro e, além disso, eu sou doutra história.
Já lá vão dois dias e ele continua a enumerar perigos e medos. Queríamos dar o encontro por terminado mas não sabemos se o rol de ameaças fica por aqui e, antes de voltarmos a metê-lo na água, é melhor deixá-lo desabafar.
O meu coelho passa a correr. Diz coisas que eu não entendo. Está tão assustado, coitado! Já acredita que há mais ratazanas que gente. E pede-me de pêlo arrepiado:
– Alice, vamos para casa que já são horas!
– Não posso, Petit Lapin – respondi-lhe contristada – É preciso terminar a festa. E, depois, vai andando tu. Eu tenho que ir com o AC (Ás de Copas) ali ao lado visitar os Reis de Espadas.
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Muito interessante! Ficamos à espera de novos episódios – o Chapeleiro Louco tem de aparecer.
Não me propus contar a “Alice no País das Maravilhas” que já li há séculos. Foi só uma adaptação livre às circunstâncias actuais.