Diário de Bordo de 12 de Novembro de 2011

 

Otelo Saraiva de Carvalho deu a sua opinião sobre o papel que os militares devem ter num quadro em que os limites do suportável tenham sido ultrapassados e logo cai o Carmo e a Trindade – gente de direita e de uma esquerda domesticada que legitima esta farsa a que chamam «jogo democrático», tem a mesma opinião – Otelo está louco.

 

Gente que suporta os insultos de Jardim à Democracia, gente que admite que um ministro das Finanças se diga admirador de Milton Friedman , o economista que ajudou Pinochet a «arrumar» o Chile.. Em suma, gente que aceita que estes imbecis pomposos do Governo, meros lacaios de Merkel e Sarkozy, lhes meta as mãos nos bolsos e que o Orçamento mais radicalmente de direita aprovado desde 1974 seja aprovado com a cumplicidade do suposto partido da oposição, entende que Otelo está louco. Já ouvi dizer que ele tinha proposto um golpe militar – prova de que já há pessoas que não ouviram a entrevista a pronunciar-se sobre ela. O mesmo aconteceu com a célebre e inexistente frase sobre o Campo Pequeno.

 

O que Otelo disse foi que não acreditava na eficácia de manifestações de militares e que entendia que ultrapassados os limites os militares deviam intervir. Está louco por ter dito isto? A fórmula do juramento dos militares, não foi alterada e ainda, é:

 

JURO, como português e como militar, servir as Forças Armadas, cumprir os deveres militares, guardar e fazer guardar a Constituição e as Leis da República. JURO, defender a minha Pátria e estar sempre pronto a lutar pela sua Liberdade e Independência, mesmo com o sacrifício da própria vida.

 

Claro que este juramento tem diversas leituras – à luz dos interesses do povo ou à luz dos interesses de quem o explora. Na primeira das hipóteses que colocamos, a dos interesses do povo português, ultrapassados os tais limites, fará todo o sentido uma intervenção militar.

 

Ou será que os Capitães de Abril estavam loucos quando nos devolveram a Democracia?

Leave a Reply