DIÁRIO DE BORDO, 17 de Novembro de 2011


 

 

João Duque, economista, que preside ao grupo de trabalho que está a analisar o serviço público prestado pela RTP, considera que a informação prestada pela televisão pública não é isenta, que a cultura das empresas públicas do sector nunca esteve à altura das suas responsabilidades. Que a informação prestada pela RTP deve ser reduzida ao mínimo para evitar as contínuas intervenções do poder político e económico. Contudo na RTP internacional preconiza que a informação seja trabalhada e filtrada pelo governo. A bem da nação, frisa. Onde é que eu ouvia (lia) esta frase? A RTP internacional, acrescenta entretanto João Duque, deverá ser orientada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, no âmbito de um contrato-programa. Por um lado reduz-se a informação, por outro reforça-se o seu controle, como muito bem afirmou ontem no Público, Rui Tavares. João Duque critica as interferências do poder na informação, mas propõe o seu reforço, na prática.

 

Entretanto, alguns opinadores insistem em que, sendo a RTP sustentada com dinheiros públicos, não se justifica a sua manutenção devido á baixa qualidade da informação prestada. Que ao menos os canais privados, também eles permeáveis a influências, não são sustentados pelos contribuintes, afirmam.

 

São conhecidas as posições dos proprietários dos canais privados sobre a privatização da RTP. São contra. Obviamente não querem mais um concorrente no terreno. E há o problema das antenas para a transmissão. Quem as controla?

 

O que está a preparar-se é o encerramento por etapas da RTP. Assim os canais privados poderão ficar sozinhos em cena. A darem a informação a seu modo, e assegurarem os dinheiros da publicidade. E poderão também reclamar apoios públicos (subsídios!) por prestarem um serviço ao país.

 

Big Brother is watching you.

1 Comment

  1. A Informação da RTP é, neste momento – e de longe – a melhor informação televisiva.O grupo do Duque (que as poucas pessoas decentes e que perceberam a figura de parvas que estavam a fazer já abandonaram) não passa de uma chusma de serviçais, que nada sabem de serviço público, ou o avaliam de uma perspectiva de operador privado ou redutoramente neoliberal (o que é uma fé, não uma racionalidade), incluindo alguns declarados inimigos deste SP – que não foram convidados por acaso… A sua única missão é servir a política do Governo: para isso não é preciso saber nada, basta obedecer às ordens “que vêm de cima”, como no tempo do fascismo, de que isto se aproxima cada vez mais, como já vaticinei…

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