COMPOSITORES DESCONHECIDOS – Frank Martin (Genebra, 1890-1974) – por Paulo Rato

 

 

FRANK MARTIN, décimo filho de uma família de origem huguenote, nasceu a 15 de Setembro de 1890, em Genebra. O pai, Charles Martin, era pastor, e se Frank Martin, como os irmãos e irmãs, foi iniciado na música muito cedo, também foi marcado por um ambiente familiar fortemente religioso.

 

Depois de completar o ensino secundário em 1908, iniciou estudos de matemática e física, que abandonou em 1910. Não frequentou o Conservatório, mas teve aulas de composição, harmonia e orquestração com o compositor genebrino Joseph Lauber, que o formaram de acordo com a tradição alemã. A influência de Bach é, de resto, predominante nas suas últimas obras.

 

Em 1918, casou-se com Odette Micheli, de quem se separará 12 anos mais tarde.

 

 

 

De 1918 a 1925 viveu em Zurique, Roma e Paris. É então que descobre a música francesa, em particular através da obra de Ravel. Em 1921 compôs os “Quatro Sonetos de Cassandra”, baseados em textos de Ronsard.

 

Em 1925, inscreveu-se no Instituto Jaques-Dalcroze e fundou a Sociedade de Música de Câmara de Genebra, de que faz parte, como pianista e cravista.

 

A partir de 1928, ensina improvisação e teoria do ritmo no Instituto Jaques-Dalcroze.

 

Casou, em 1930, com Irene Guardian, que morreria repentinamente em 1939.

 

Em 1933 torna-se director do Technicum Moderne de Musique, até à sua extinção em1939, aí leccionando composição, harmonia e música de câmara.

 

A partir de 1939, reduz a actividade de professor para se dedicar à composição. Em 1940, casa com Maria Boeke, flautista holandesa que viera estudar em Genebra e que será sua inestimável colaboradora. Frank Martin tinha começado a composição da primeira parte de “Vin Herbé” em 1938, sobre um texto de Joseph Bédier; compôs a segunda e terceira partes em 1941 e um ano depois, a versão integral é estreada em Zurique.

 

Depois dos seus “Monologues de Jedermann”, de 1943, a Radio-Genève encomenda-lhe, em 1944, uma obra, para, comemorar o armistício, que será a oratória “In Terra Pax”. Finalmente, é com a sua “Petite Symphonie Concertante”, de 1945, que Frank Martin atinge uma reputação internacional.

 

Em 1946, instala-se na Holanda, em Amesterdão e, mais tarde, em Naarden. Compõe, em 1948, uma oratória para solistas, coro misto, órgão e orquestra, “Golgotha”, e em 1955, que irá musicar a comédia de Shakespeare “A Tempestade”. No mesmo ano faz um longo cruzeiro no Mediterrâneo, o que dará um novo fôlego à sua inspiração. Entre 1950 e 1957 ensina composição na Staatliche Hochschule für Musik de Colónia.

 

Em 1959, compõe “Le Mystère de la Nativité”, antes de receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Lausanne, em 1961.

 

Para assinalar o 80 º aniversário de seu amigo Ernest Ansermet (em 1964), Frank Martin compõe “Les Quatre Eléments: la Terre, l’Eau, l’Air et le Feu” e, no mesmo ano, a oratória “Pilate”. Depois de fazer várias viagens à Islândia e ao Cabo do Norte, compõe “Les Poèmes de la Mort” sobre textos de Villon, para três vozes masculinas e guitarras eléctricas, elementos “pop” que “pelos seus sons arrancados ou prolongados como sinos macabros, eram particularmente adequados a proporcionar a atmosfera que deve envolver os poemas de Villon”. Termina, em 1971, o “Requiem”, sobre o qual reflectiu longo tempo, sobretudo pelos vários problemas que lhe suscitou o texto em latim. Dirigi-lo-á em 1973, em estreia, na catedral de Lausanne.

 

Em 1974, Frank Martin compôs a cantata “Et la Vie l’emporta”, antes de morrer, no mesmo ano. A obra viria a ser estreada em 1975, em Nyon, por Michel Corboz.

 

Da obra deste notável compositor, nosso contemporâneo, aqui ficam três sugestões de escuta. O primeiro andamento – Molto lento – de uma das minhas obras preferidas, a Balada para Viola, Sopros, Harpa, Cravo e Percussão:

 

 

Um exemplo da música religiosa, importantíssima na produção deste compositor, o Agnus Dei com que termina a sua Missa para Duplo Coro, pelo famoso grupo The Sixteen, dirigido por Harry Christophers

 

http://www.youtube.com/watch?v=hQTMrs0DMsI&feature=related

 

E ainda um exemplo de peças para o seu instrumento preferido, o piano: os segundo – Allegro tranquillo – e terceiro – Tranquillo ma con moto, dos Oito Prelúdios, dedicados a Dinu Lupati e aqui interpretados por Lucia Negri

http://www.youtube.com/watch?v=MxD-EkA2Kl4&feature=related

 

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