Aos visitantes, aos leitores, aos viajantes argonautas, uma curta apresentação sobre derivados é o que seguirá – V Um trabalho de Louise Story no New York Times. Seleccionado, traduzido e apresentado por Júlio Marques Mota

 

 

(Continuação) 

 

Uma oferta então:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

II. Uma secreta elite bancária controla a actividade sobre derivados 

 

 

Louise Story, New York Times

 

 

Na terceira quarta-feira de cada mês, os nove membros de uma elite da sociedade de Wall Street reúnem-se no centro de Manhattan.

 

 

Os homens partilham um objectivo comum: para proteger os interesses dos grandes bancos no vasto mercado dos produtos derivados, uma das actividades mais rentáveis e controversas nos mercados financeiros. Estes homens partilham também um segredo em comum: os detalhes de suas reuniões, mesmo as suas identidades são estritamente confidenciais.

 

 

Vêm dos gigantes como a JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Morgan Stanley, os banqueiros formar um comité poderoso que se ajudam a supervisionar as transacções sobre produtos derivados, instrumentos que, como os seguros, são usados para cobertura de risco.

 

 

Em teoria, este grupo existe para salvaguardar a integridade deste mercado de muitos triliões de dólares. Na prática, o grupo também defende a dominação dos grandes bancos.

 

 

Os bancos neste grupo, que são filiados numa nova câmara de compensação sobre derivados, têm lutado para bloquear a entrada de outros bancos nestes mercados e eles também estão a tentar frustrar os esforços para tornar estes mercados mais transparentes através de informação completa tornada pública, livremente disponível, quer quanto a preços, quer quanto a taxas.

 

 

A influência dos bancos sobre este mercado e sobre a câmara de compensação, tal como este selecto grupo aconselha, tem fortes e onerosas implicações para as pequenas e grandes empresas, como a empresa Dan Singer, fornecedora de combustível para aquecimento doméstico em Westchester County, a norte de New York City.

Este Outono, muitos dos clientes de Singer compraram planos de consumo de combustível a taxa fixa para bloquear o preço do combustível para aquecimento no inverno à volta de 3 dólares por galão. Enquanto que o preço estava acima dos 2,80 dólares por galão então os contratos protegem os proprietários se o tempo muito frio conduz à subida dos preços acima dos três dólares por galão.

 

 

Mas Singer questiona-se se a sua empresa, Robison  Oil não poderia estar a fazer um melhor negócio. Ele usa os produtos derivados como swaps e opções para criar seus planos a preços fixos. Mas não tem nenhuma ideia de quanto poderia baixar os seus preços – e os preços para os seus clientes – diz-nos ele, porque os bancos não divulgam as taxas associadas aos produtos derivados.

 

 

“No final do dia, não sei se eu estou a aplicar um preço correcto ou não como também não sei quanto é eles me estão a cobrar “, afirmou Singer.

Os produtos derivados representam ou significam a mudança do risco de um agente para outro e eles oferecem muitos benefícios, como permitir a Singer vender os seus planos de consumo a preço fixo, sem ter de suportar todos os riscos uma vez que os preços do petróleo podem subir de repente. Os produtos derivados também são um grande negócio em Wall Street. Os bancos ganham muitos bilhões de dólares por ano em taxas não publicitadas associadas a estes instrumentos – um valor que necessariamente seria menor se houvesse mais concorrência e preços transparentes.

 

 

Exactamente quais são os custos normalmente ligados aos produtos derivados norte-americanos não se sabe ao certo. A profundidade e a extensão deste mercado tem estado a crescer fortemente ao longo das últimas duas décadas. Os Fundos de pensão hoje utilizam derivativos para proteger do risco os seus investimentos. Estados e municípios utilizam-nos para tentar manter os custos baixos dos seus empréstimos. As companhias aéreas usam-nos para garantir a estabilidade dos seus preços dos combustíveis. As empresas de produtos alimentares usam-nos para fixar os preços de commodities como é o caso do trigo ou da carne.

 

 

O mercado como ele agora funciona ” gera custos mais elevados para todos os americanos”, disse Gary Gensler, o presidente da Commodity Futures Trading Commission, que regula a maioria dos derivados. Mais supervisão sobre os bancos neste mercado é mesmo necessária, disse ele.

 

 

Mas os grandes bancos influenciam as regras que regem os mercados de produtos derivados através de uma variedade de grupos industriais. Um dos pontos mais recentes da influência dos bancos são as câmaras de compensação como a ICE Trust, que organiza as reuniões mensais com os nove banqueiros em Nova York.

 

 

Sob a reforma financeira Dodd-Frank, muitos produtos derivados passarão a ser negociados através de câmaras de compensação como esta. O Presidente Gary Gensler quer diminuir o controle dos bancos sobre estas novas instituições. Mas os legisladores republicanos, muitos dos quais receberam contribuições de campanha a partir de grandes banqueiros que querem influenciar o modo como as regras de derivativos serão redigidas, dizem que planeiam rever e voltar atrás em grande parte da reforma que se tem estado a redigir. Na quinta-feira, a comissão cancelou uma votação sobre uma proposta para tornar os preços mais transparentes, levantando especulações de que Gary Gensler não teria o apoio suficiente dos seus colegas comissários.

 

 

O Ministério de Justiça está a investigar o mercado de produtos derivados, também. A secção antitruste do Ministério está a investigar activamente “a possibilidade de práticas anti-concorrência no mercado de derivados de crédito, seja de em termos de comércio. de compensação e dos serviços de informação”, segundo uma porta-voz do Ministério.

Na verdade, o mercado de derivativos de hoje lembra alguns especialistas do mercado de acções Nasdaq na década de 90. Naquela época, o Departamento de Justiça descobriu que os operadores no mercado Nasdaq faziam secretamente conluio para proteger os seus próprios lucros. A seguir a ter-se descoberto este escândalo as reformas sobre os sistemas de negociação electrónica do Nasdaq reduziram os custos de negociação de acções para 1/20 de seu nível anterior – uma enorme economia para os investidores.

 

 

“Quando se limita a participação na gestão de uma entidade para uns poucos tais como algumas instituições ou indivíduos que têm interesse em manter os concorrentes fora do mercado, então tem-se criado o potencial para que coisas má possam acontecer. É a lei anti trust 101, diz Robert Litan que ajudou na investigação do Departamento de Justiça a supervisionar a Nasdaq como assistente de vice procurador-geral e trabalha agora na Fundação Kauffman. “A história da negociação sobre produtos derivados é que a autilizaação destes tem crescido numa indústria muito concentrada, e os velhos hábitos são muito difíceis de quebrar.”

 

(Continua)

 

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