Ainda não está claro porque razão é que o C.M.E. acabou com a sua iniciativa de comércio electrónico. As duas pessoas referidas e com conhecimento sobre a câmara de compensação da Chicago Mercantile Exchange disseram que os bancos se recusaram a nela se envolverem a não ser que como moeda de troca Citadel saísse e com ele todo o plano de trading electrónico.
Kim Taylor, o presidente da divisão do Departamento de Compensação de Chicago Mercantile Exchange, disse que “o mercado” simplesmente não estava interessado na ideia de Griffin.
Os críticos dizem agora que os bancos têm uma vantagem porque eles ganharam o controle precoce dos Comités de risco das novas câmaras de compensação. Taylor em Chicago Mercantile Exchange disse que as pessoas naqueles comités devem olhar para além dos interesses do mercado em geral, em vez de olharem basicamente para os seus próprios interesses. Taylor comparou o papel dos bancos como sendo equivalente aos dos legisladores que em Washington olham para os interesses da nação e não apenas para os seus eleitores.
“Não é como o tipo de representação de quando eu fui eleito para ser o representante do Estado de Illinois, pois aí eu estou para representar o estado de Illinois,” disse Taylor numa entrevista.
Funcionários superiores de ICE, entretanto, disseram que iam solicitar vistos de clientes através de um Comité, que seja separado do comité de risco dominado pelos grandes bancos.
“Nós passamos e continuamos a gastar muito tempo a pensar sobre governança”, disse Peter Barsoom, o director operacional de ICE Trust. “Queremos ter a certeza de que temos todas as partes de direito interessadas adequadamente representadas.”
Griffin disse na semana passada que os clientes têm até agora pago o preço de não se ter ainda o trading electrónico. Ele coloca a questão, numa estimativa aproximada, em dezenas de milhares de milhões de dólares, dizendo que o trading electrónico eliminaria grande parte desta “renda económica de que os revendedores desfrutam num mercado que é muitíssimo opaco.”
“É uma impressionante quantidade de dinheiro”, disse Griffin. “Os principais jogadores de hoje no mercado de derivados estão muito apreensivos sobre se vão ser vencedores ou perdedores quando nós nos estamos a mover para uma maior transparência, para mercados mais justos, e uma vez que assim é eles não têm certeza se vão ser vencedores ou perdedores, e os seus instintos básicos é resistir à mudança. “
Dentro, fora e em torno do galinheiro.
O resultado da manobra dos últimos dois anos é que os grandes bancos dominam os comités de risco não apenas de uma mas das duas mais importantes novas câmaras de compensação nos Estados Unidos.
Isto coloca-os numa posição privilegiada para determinar as condições em que os derivados são transaccionados.
Segundo o projecto Dodd-Frank, às câmaras de compensação seriam dados largos poderes. Os comités de risco aqui servem para ajudar a decidir que preços serão cobrados na câmara de compensação, para lá das taxas que os bancos recebem por fazerem corresponder compradores e vendedores, e decidir também que valor devem os clientes colocar como garantia para cobrir eventuais perdas.
Talvez mais importante de tudo, os comités de risco têm também a função de recomendar que derivados devem ser tratados através das câmaras de compensação, e quem poderá usufruir de isenções de limites sobre contratos negociados.
Os reguladores terão a palavra final. Mas os bancos, que pressionaram fortemente para limitar a regulamentação de derivados no projecto de lei Dodd-Frank, provavelmente irão argumentar que só alguns tipos de derivados deverão ter que passar pelas câmaras de compensação. Os críticos afirmam que os banqueiros vão tentar manter vários tipos de derivados bem longe das câmaras de compensação, um vez que as câmaras representam um passo para um vasto trading electrónico que poderia dizimar os lucros dos bancos.
Os bancos já têm uma vantagem à cabeça. Mesmo uma nova proposta de regra para limitar a influência dos bancos sobre a compensação permite-lhes manter maiorias nos comités de risco. Não está claro se os reguladores criando novas regras – sobre questões como a transparência e o possível trading electrónico – vão mudar drasticamente o trading de derivados, ou se vão deixar os banqueiros com grande controle.
Um antigo regulador advertiu contra o adiamento face aos bancos. Theo Lubke, que até este Outono supervisionou as reformas sobre derivados no Federal Reserve Bank of New York, disse que os bancos nem sempre pensam no mercado como um todo, quando eles ajudam a escrever as regras.
“Fundamentalmente, os bancos não são bons em auto-regulação”, disse Lubke, disse num painel de Março passado na Universidade de Colômbia. “Isso não é a sua experiência, isso não é o seu principal interesse.”
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