UM CAFÉ NA INTERNET – Novas Viagens na Minha Terra – Por Manuela Degerine. Série II, Capítulo 8.

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            

 

Público ou privado?

 

Não pensem os leitores que sou uma adversária do serviço público. Vivi durante vinte anos em França – isto é: numa sociedade com um serviço público de grande qualidade – por conseguinte, quando estou em Portugal, espero ser tratada com respeito e profissionalismo. Dir-me-ão… Portugal não é a França, aqui sobrevive-se, etc. E eu replico: não é uma questão de meios mas de postura. Teremos a melhor função pública do mundo se quem nela trabalha for formado, punido por corrupção e recompensado consoante o mérito. Não deve ser impossível.


Aliás em Portugal a maioria das empresas privadas não é mais eficiente do que as públicas. Deixo de lado os instaladores de marquises, termocaixilho e outros voluntários aldrabões… Basta o exemplo de duas empresas que, creio eu, não lesam o cliente de maneira sistemática e premeditada.


Tendo descoberto que o seguro de uma das casas pertencentes à minha mãe caducara, dirigi-me à companhia para regularizar a situação. Um empregado muito amável preveniu que cumpria requerer nova apólice, o processo passaria pelo responsável, o que demorava sem dúvida alguns dias; telefonava-me logo que houvesse resposta. E fez-me preencher um longo questionário, ano de construção, obras, materiais, localização… Uma semana mais tarde, não tendo sido contactada, voltei à companhia de seguros; e de novo fui atendida pelo amável empregado. Não, não se esquecera, todavia o responsável estivera ausente, não dera ainda resposta, mais um dia ou dois, avisava-me logo que fosse possível. Passou-se mais outra semana. Retornei à companhia.


– Ah, ia telefonar-lhe… É que o responsável devolveu o processo com uma objecção… Não incluem o recheio da casa porquê?


Se após quinze dias e três idas à companhia fora impossível assinar um contrato, o que seria se houvesse um incêndio? Indemnizar-nos-iam?


Dirigi-me portanto a outra companhia. A senhora que me atendeu avançou que a minha mãe tinha ali outro seguro, expliquei que queria mais um, descrevi a propriedade, mostrei os documentos das finanças, localizámos a casa no mapa cadastral, a senhora propôs um valor demasiado elevado, acabou por concordar que, em caso de sinistro, o reembolso não se faria naquela base, chegámos por fim a um acordo. Ela imprime o contrato, dá-mo para assinar – e que descubro?… O seguro da primeira casa era transferido para a segunda! 

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