Um café na Internet
Público ou privado?
Não pensem os leitores que sou uma adversária do serviço público. Vivi durante vinte anos em França – isto é: numa sociedade com um serviço público de grande qualidade – por conseguinte, quando estou em Portugal, espero ser tratada com respeito e profissionalismo. Dir-me-ão… Portugal não é a França, aqui sobrevive-se, etc. E eu replico: não é uma questão de meios mas de postura. Teremos a melhor função pública do mundo se quem nela trabalha for formado, punido por corrupção e recompensado consoante o mérito. Não deve ser impossível.
Aliás em Portugal a maioria das empresas privadas não é mais eficiente do que as públicas. Deixo de lado os instaladores de marquises, termocaixilho e outros voluntários aldrabões… Basta o exemplo de duas empresas que, creio eu, não lesam o cliente de maneira sistemática e premeditada.
Tendo descoberto que o seguro de uma das casas pertencentes à minha mãe caducara, dirigi-me à companhia para regularizar a situação. Um empregado muito amável preveniu que cumpria requerer nova apólice, o processo passaria pelo responsável, o que demorava sem dúvida alguns dias; telefonava-me logo que houvesse resposta. E fez-me preencher um longo questionário, ano de construção, obras, materiais, localização… Uma semana mais tarde, não tendo sido contactada, voltei à companhia de seguros; e de novo fui atendida pelo amável empregado. Não, não se esquecera, todavia o responsável estivera ausente, não dera ainda resposta, mais um dia ou dois, avisava-me logo que fosse possível. Passou-se mais outra semana. Retornei à companhia.
– Ah, ia telefonar-lhe… É que o responsável devolveu o processo com uma objecção… Não incluem o recheio da casa porquê?
Se após quinze dias e três idas à companhia fora impossível assinar um contrato, o que seria se houvesse um incêndio? Indemnizar-nos-iam?
Dirigi-me portanto a outra companhia. A senhora que me atendeu avançou que a minha mãe tinha ali outro seguro, expliquei que queria mais um, descrevi a propriedade, mostrei os documentos das finanças, localizámos a casa no mapa cadastral, a senhora propôs um valor demasiado elevado, acabou por concordar que, em caso de sinistro, o reembolso não se faria naquela base, chegámos por fim a um acordo. Ela imprime o contrato, dá-mo para assinar – e que descubro?… O seguro da primeira casa era transferido para a segunda!

