Uma “greve” peculiar na Sinfonia do Adeus de Haydn

 

 

 Com o nosso agradecimento à Lídia Salgueiro na página do facebook

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

Na Sinfonia do Adeus de Haydn, os músicos vão saindo do palco um a um. A estreia, em 1772, funcionou como um protesto contra más condições de trabalho. Uma “greve” peculiar. Ver mesmo até ao fim.

 

 

5 Comments

  1. Caríssimo Adão: há que explicar, porque não podemos estar seguros de que toda a gente conheça a história (pelo menos, a que ficou como verdadeira…)Nesses tempos, os músicos eram empregados de gente importante e praticamente considerados ao nível da “criadagem”, obrigados a viver nos palácios dos seus senhores, muitos deles longe das famílias. Como o senhor em questão, neste caso o príncipe Esterházy, tinha várias residências e gostava de ir estacionando por elas, com, entre outras consequências para o “pessoal menor”, a de não dar férias aos músicos, para estarem com as famílias, Haydn utilizou este estratagema para lhe “lembrar” que estava em falta. Recado que o tal príncipe lá terá percebido, procedendo em conformidade e “libertando” aquela parte da “criadagem” do seu exílio forçado, por uns tempos… Mas o que mais (hoje) importa é que teve como resultado (como era habitual em Haydn, cuja importância na história da música foi, durante bastante tempo, pouco valorizada, tendendo a reduzir-se à genialidade das suas obras ou à 3.ª – ainda que grande – figura do Classicismo, ofuscado por Mozart e Beethoven, perspectiva, sublinhe-se, actualmente ultrapassada) uma belíssima Sinfonia, com o famoso final, que acaba por assumir uma notável modernidade: os músicos repetem exactamente o mesmo trecho, de cada vez com menos um intérprete, o que origina que, sucessivamente, os agrupamentos instrumentais sejam diferentes e o volume sonoro se vá reduzindo até ao silêncio, com a saída do último músico. E esta “construção musical”, se teve como catalisador a reivindicação laboral, acabou por se transformar em mais um desafio “técnico” e uma “experiência”, deliberada e genialmente resolvidas.

  2. Já percebi o que é que aconteceu: deves ter visto a página do facebook onde não aparece o quadro – acontece com muita frequência – e o nome do seu autor fica colado à frase. Mas a frase foi copiada da página doutra pessoa a quem agradeço no início. Eu não conhecia a história.

  3. Augusta, foi quase isso que aconteceu: não frequento o facebook, mas dei de caras com o nome do Adão e atribui-lhe o feliz relacionamento com a Greve.Mas esta é apenas uma das versões, não da história (que, mais coisa, menos coisa, é esta), mas do modo como este andamento final pode ser interpretado. Se procurares no youtube (ou, talvez melhor, no Google, juntando à procura o nome do Barenboim) encontras aquela que é, para mim, uma das mais divertidas interpretações. Fui à procura porque a tinha visto num daqueles Concertos de Ano Novo da Filarmónica de Viena e… lá estava ela! Claro que numa adaptação para uma orquestra maior do que a que Haydn tinha à disposição, o que ainda torna a coisa mais animada!

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