DIÁRIO DE BORDO, 25 de Novembro de 2011


 

 

 

Ontem foi a greve geral. Tudo indica que a adesão foi bastante grande. Houve bastantes carros na estrada, mas como quase que não houve transportes públicos muita gente usou o carro próprio para a sua vida. Entretanto aconteceram uns incidentes na Assembleia da República, largamente exibidos na televisão. Parece haver um certo interesse em fazer as pessoas acreditar que os grevistas gostam de violência, ou que as manifestações acabam sempreem violência. Ogoverno e a direita ficaram muito incomodados e procuram fazer passar a mensagem de que quem faz greve não gosta de trabalhar.

 

Um aspecto muito importante é o de que os jovens indignados se aliaram à greve e apareceram nas manifestações realizadas junto com os sindicatos. Estes fazem bem em estar lado com os jovens licenciados sem futuro, um novo tipo sociológico, como diz Paul Mason, jornalista da BBC, citado por Rui Tavares, na sua coluna do Público, quarta-feira passada. Paul Mason terá citado um historiador que diz que a Revolução Francesa não foi feita pelos pobres, mas sim pelos advogados pobres. Esperemos que estes tenham melhor sorte, que façam uma revolução, e que a seguir não apareça nenhum Napoleão a tirar dela partido. A revolução é precisa, mas candidatos a napoleões há muitos.

 

A Fitch, agência de notação, baixou a notação de Portugal para lixo. Para tal terá invocado a recessão em que estamos a mergulhar, que torna cada vez mais arriscados os investimentos. Terá ainda dito ser necessária mais austeridade. Já toda a gente percebeu que a austeridade agrava a recessão. Temos assim a Fitch a contribuir para a nossa recessão. Quando é que se porá cobro a isto? As agências de notação, também já se percebeu, procuram conscientemente agravar a crise, para alguém tirar partido dela. Esse alguém são o que se designa por mercados, designação cabalística para oligarquia. Passos Coelho, quiçá, involuntariamente, deixou cair o véu, quando declarou que o país tem de empobrecer.

 

Na Madeira, na Assembleia Regional, na terça-feira passada, aprovaram uma proposta do PSD no sentido de, nos plenários, os votos de cada deputado presente são contados como representando o universo de votos do respectivo partido ou grupo parlamentar. Só PSD votou a favor, os outros partidos foram todos contra. Esta caricata decisão mostra bem o entendimento que Alberto João Jardim e companhia têm da democracia representativa. Assim evita que o PSD fique em minoria, caso faltem ao plenário deputados seus. Pergunta-se: e no caso de algum deputado do PSD querer ir contra a decisão do partido? Naquela bancada não há liberdade de voto em qualquer circunstância? Assim  se vêem as limitações da democracia representativa… Quem irá travar mais esta originalidade jardinesca?

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