Impostos sobre os ricos! Na verdade, devemos passá-los para o dobro – 2 Por Richard Eskow. Selecção, introdução e tradução por Júlio Marques Mota.

(Conclusão)

 

 

Os conservadores dirão: E então, os empregos? Impostos mais baixos criam empregos! Há uma resposta simples para esta afirmação: Uma vez que os ricos têm tido redução das suas taxas de imposto sobre os rendimentos desde há 10 anos até hoje, onde estão então esses empregos? Essa teoria tem sido conclusivamente recusada pelos factos. As taxas mais altas de tributação não desencorajam os verdadeiros criadores de empregos, aquelas pessoas que realmente querem criar e inovar. E a taxa de 70% foi a taxa marginal superior de tributação quando Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple e essa taxa não os impediu disso.

 

 

 

Estas conclusões podem sentir-se intuitivamente como “erradas” para os conservadores (embora estas conclusões não se vejam como erradas para Paul Krugman ou outros em posição de o saberem bem). Mas se os conservadores querem desafiar estas conclusões, querem estar melhor preparados para nos dizer porque eles acham que isto é errado:

 

 

 

 

 

Nota: The figure depicts the derivation of the optimal top tax rate τ * = 1/(1+ae) by considering a small reform around the optimum which increases the top marginal tax rate τ by Δτ above z*. A taxpayer with income z mechanically pays Δτ[z – z*] extra taxes but, by definition of the elasticity e of earnings with respect to the net-of-tax rate 1 – τ, also reduces his income by Δz = e zΔτ/(1 – τ) leading to a loss in tax revenue equal to Δτ e zτ/(1 – τ). Summing across all top bracket taxpayers and denoting by zm the average income above z* and a = zm/(z – z*)), we obtain the revenue maximizing tax rate τ* = 1/(1+ae). This is the optimum tax rate when the government sets zero marginal welfare weights on top income earners.

 

 

Kevin Drum de modo bastante razoável admite que a maximização das receitas “(do governo) não é o nosso único objectivo social.” Ele está certo, é claro. A criação de emprego é outro grande objectivo, mas nós também pensamos isso. Deste modo, significa então estarmos assim a eliminar a pobreza, a educar os nossos filhos, a garantir uma situação para a gente reformada em que se tenham pensões seguras e assegurando que ninguém morre por falta de alimentação, por falta de abrigo, ou por falta de cuidados médicos.

 

 

 

 

As pessoas têm outras metas para a nossa sociedade, também, e isso é claro. Estas vão desde a inspiração sobre metas colectivas como a liberdade, a independência e a auto-confiança, até às não ditas e menos admiráveis como o direito de esmagar os seus concorrentes, por quaisquer meios se para tal for necessário, o direito de enganar os consumidores a gastarem aquilo que duramente ganharam e durante muito tempo pouparam ou o direito de incentivar a entrar em grande consumos e em excessos sem significado e à custa dos outros.

 

 

 

Estou inspirado pela liberdade, pelo desejo de independência e pela auto-confiança também. Mas acho que Steve Jobs e o Wozniak eram jovens livres e com um bom nível de auto-estima num regime de taxa marginal superior de tributação de 70%. Eu não acho que Dwight D. Eisenhower tenha sido um opressor socialista das massas. E enquanto eu estou aberto a um argumento que nos diga que dobrar a taxa de imposto superior ofende os valores fundamentais americanos, eu não posso pensar outra coisa. Eisenhower parecia-me bem um americano, do meu ponto de vista.

 

 

 

 

Assim, a bola está no campo da direita, no campo dos conservadores. Analise-se a situação. Mas até que eles venham de novo a estar em posição de poderem bem gritar, dobre-se-lhes a taxa marginal superior de tributação, dobrem-se-lhes os impostos! É tempo para aqueles que beneficiaram com o nosso sistema reporem as coisas no seu lugar. Ou ainda, como os políticos costumavam dizer, mas não o parecem dizer mais, “A quem muito é dado, muito é esperado.”

 

 

 

 

Estes irão dizer que eu odeio os ricos, mas não é verdade. Eu estou habituado a trabalhar com eles. Admiro os que ignoram os seus próprios interesses e trabalham para a melhoria da situação de todos. Estarão os Perrys Rick deste país a sugerirem que as pessoas ricas de hoje não são tão patrióticas como estas eram nos anos cinquenta? Se assim é, Perry Rick não nos dará de volta a América do tempo em que nasceu. Perry Rick não vai levar-nos de volta, para os velhos tempos dos Estados Unidos de que muito terá gostado enquanto criança, não vai, não.

 

 

 

 

Eu também não odeio os outros, os viciados na ganância ou nas grandes golpadas. Eu até me preocupo com eles. Eu desejo que eles vivam numa sociedade estável e justa, numa sociedade cheia de vitalidade e com uma economia de forte e sustentado crescimento económico. Eu desejo que eles sejam capazes de entregar os produtos aos seus clientes utilizando estradas, caminhos-de-ferro e pontes de qualidade, que utilizem vias de transporte seguras e rápidas. Eu desejo que eles disponham de uma força de trabalho saudável, bem paga, e com bom nível de formação quer agora quer com as gerações vindouras.

 

 

 

 

Acima de tudo, eu preocupo-me com suas consciências.

 

 

 

 

Toda a gente na capital do nosso país quer reduzir o défice e assim, por isso mesmo, sabemos que estas pessoas de direita vão ser muito felizes com esta solução. E isto é como eles estão sempre a proclamar: Porque é que o governo não actua como uma família o faz! Quando a mamã e o papá se sentarem à mesa da cozinha a conferirem as suas contas, aí têm que enfrentar os factos. Chega um momento em que eles têm que olhar para cima dos papéis espalhados ao redor deles e dizerem: “Querida, precisamos de mais dinheiro.” A ganhar-se o que se pode é a maneira responsável de cada um de nós se comportar. Aumentar a taxa marginal superior de tributação dos rendimentos para 70%? Isto é apenas só fazer o que qualquer família inteligente faria.

 

 

Boas notícias, Washington! A sanidade orçamental fiscal está a ir pelo bom caminho. A solução para o problema do défice está aqui, e o seu novo slogan é então: 70% ou o caos.

 

 

Richard (RJ) Eskow, Tax the Rich! In Fact, Let’s Double Their Taxes

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