Maria Inês Aguiar Chamei-te amizade
(Adão Cruz)
chamei-te amizade
falei-te dos meus medos receios segredos
entreguei-te
sonhos frustrações afectos
de ti recebi sobras e restos
e ai de ti
ser
que hei-de eu ser
o ser viscoso o exoso sórdido
a exaltação e o
ódio
o mórbido desassossego,
a razão do teu degredo
e serei eu a lei
rixa agreste
e peste serei
serei o teu passado dissecado
o teu presente
envenenado
o futuro sem futuro
nas telas do teu telhado
e ai de ti
ser
que hei-de eu ser o ser torpe
qual feiticeira a galope
prenúncio da
tua morte


