João Pequeno mandou um conto com 900 caracteres – não contam os espaços – saudamo-lo por ter sido o primeiro a chegar. Não teceremos considerações e pedimos aos visitantes que não façam comentários (que teríamos de apagar). O júri não pode ser pressionado nem influenciado.
Leiam então o conto
GIRASSOL por João Pequeno
Eu, minha mulher e um casal amigo, passámos férias de verão em Vila Baleira, pequena cidade porém capital da ilha de Porto Santo. Para além dos banhos de sol e de mar, também descobrimos um restaurante empoleirado sobre o mar e com excelente comida. Tinha era um nome inócuo: Silva e Gomes, Lda. Quando o recomendávamos a banhistas nossos conhecidos, eles tinham sempre dificuldade em localizá-lo.
Dá-me a louca e vou à praça central de Vila Baleira comprar à florista um girassol. Ela dá-me a flor com o pé todo envolvido em papel de prata. E eu vou ao restaurante e converso com o Silva, responsável pelas mesas, e com o Gomes, responsável pela cozinha. Ofereço-lhes o girassol e digo:
– Se quereis mais clientes, este é que devia ser o vosso nome.
Olham um para o outro e sorriem.
Viro costas, mas dois dias depois já vejo à porta do tasco uma tabuleta pintada com um girassol e o nome GIRASSOL restaurante. Consequências? Ao almoço começa a afluir cada vez mais gente. Mas ao jantar continua tudo na mesma. Até se entende: pouca gente está disposta a ir dormir com a barriga cheia.
