Aires de Ornelas (1866-1930)
Oficial do exército e colonialista, político e escritor, Aires de Ornelas e Vasconcelos nasceu no Funchal, a 5 de Março de 1866.
Enveredou pela arma de Cavalaria, assentou praça em 27 de Novembro de 1881, e, mais tarde, diplomado já com o curso do Estado-Maior, esteve presente em Madrid quando, em 1892, ali se realizou a Conferência da Paz.
Entretanto, e de colaboração com alguns camaradas, Aires de Ornelas, que sempre se revelaria interessado pelos problemas da cultura, já por essa altura havia fundado a Revista do Exército e da Armada, em cujas colunas, entre outros trabalhos de muito mérito, publicou «Os Processos de Guerra e de Comando de Napoleão I».
Em 1895, partiu para Moçambique, a fim de participar na campanha contra o Gungunhana. E, como adjunto do Estado teve papel relevante nas mais importantes jornadas de ocupação e pacificação daquela província. A começar pela de Marraquene, travada em 2 de Fevereiro, e a respeito da qual, além do mais, deixou testemunho que tem o mérito de ter sido intensamente vivido.
Esteve presente em Coolela, episódio brilhante da luta pelo abatimento do poderio vátua, resolvido com rapidez na manhã de 7 de Novembro. E, após o regresso à metrópole do comissário régio António Enes, Mousinho de Albuquerque que, nos princípios de 1896, assumiu as funções de governador-geral, nomeou-o seu chefe do Estado-Maior.
Promovido a capitão em 7 de Fevereiro de 1897, participou na luta contra os Namarrais e, igualmente, no feito de Macontene, a jornada gloriosa de 21 de Julho de 1897, que decisivamente contribuiu para a pacificação da região de Gaza.
Regressou, então, a Lisboa, acompanhando Mousinho de Albuquerque.
Em 1901, assumiu a direcção política do Jornal do Comércio e das Colónias, e, no ano seguinte, por direito de hereditariedade ocupou uma cadeira na Câmara dos Pares. E, em 1905, foi nomeado governador do distrito Moçambique, cargo de que pediu a exoneração em 15 de Fevereiro do ano seguinte.
Entretanto, por essa altura, a situação política interna agravava-se por forma preocupante. Hintze Ribeiro, sentindo que diminuíam as suas forças de influência e que o País, sob o seu Governo, corria o risco de resvalar para a anarquia apresentou ao monarca, a 15 de Maio de 1906, o pedido de adiamento das Câmaras ou, na alternativa, a demissão do Ministério. D. Carlos decidiu pela segunda hipótese e chamou João Franco a constituir novo Governo. E nele ocupou Aires de Ornelas a pasta da Marinha e Ultramar. Acompanhou, então, o príncipe real D. Luís Filipe numa larga digressão pelas colónias africanas, viagem considerada indispensável para a educação do príncipe por várias personalidades, e cuja realização encontrou o melhor acolhimento por parte de D. Carlos.
No entanto, foi depois da queda da Monarquia 5 de Outubro de 1910, que a sua acção política adquiriu maior notoriedade, mormente, quando, no desempenho funções de lugar-tenente do ex-rei D. Manuel II, a quem se manteve fiel e dedicado até à morte, foi alvo de ataques dos seus adversários republicanos e, também de ataques não menos rudes dos seus correligionários monárquicos da ala integralista, que não raro o cobriram de insultos e sarcasmos. De facto, a sua intervenção, aliás, hesitante e contraditória, nos acontecimentos que levaram os monárquicos de Lisboa a secundar, em 23 de Janeiro de 1919, a tentativa restauracionista do Porto de 19 do mesmo mês, e as dificuldades inerentes ao desempenho do seu elevado cargo na política monárquica contribuiriam grandemente para as críticas acerbas de que foi alvo.
Faleceu em Lisboa, a 14 de Dezembro de 1930.
A seguir – Paiva Couceiro

